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As cidades ‘temáticas’ da China

O governo da China aposta no sucesso das cidades ‘temáticas’ para atrair turistas e negócios

As cidades ‘temáticas’ da China
Esse projeto tem como objetivo limitar o tamanho da população das grandes cidades diante da urbanização crescente do país (Foto: Pixabay)

A cidade de Haiyan, sede da primeira usina nuclear da China, explora esse fato para atrair investimentos e turistas. Há pouco tempo, Haiyan inaugurou um museu destinado a preservar a história da construção da usina e do desenvolvimento do programa nuclear chinês, além de um parque temático e projetos arquitetônicos de casas e hotéis nesse mesmo contexto.

Outras cidades a pouca distância oferecem atrativos diferentes para os turistas. Os que gostam de comer bem podem visitar a “cidade do chocolate” ou a “cidade do shiitake”, enquanto os estilistas têm uma “cidade especializada em roupas de couro” à sua disposição. Os gerentes de fundos de investimentos têm a opção de escolha de quatro cidades com um potencial financeiro diferente.

Essas cidades fazem parte do projeto do governo chinês de criar as tese xiaozhen, ou cidades com uma identidade cultural específica. Esse projeto tem como objetivo limitar o tamanho da população das grandes cidades diante da urbanização crescente do país. Segundo o planejamento dos urbanistas, as cidades “temáticas” teriam 500 mil ou menos habitantes, com um custo menor de administração.

A pedido do governo central, as autoridades locais identificaram características específicas dessas cidades, como atrações turísticas, um setor econômico especial e um estilo de vida peculiar, a fim de incentivar seu desenvolvimento.

Na estimativa do jornal China Times de Pequim, cerca de 6 mil cidades estão sendo criadas em lugares com atrações especiais. O investimento médio até o momento tem sido de cerca de 5 bilhões de yuans (US$755 milhões) por cidade, de acordo com a empresa Shenwan Hongyuan Securities. Nesse ritmo, o investimento total do governo nas milcidades a serem construídas ou desenvolvidas até 2020, atingiria o valor de 5 trilhões de yuans, o equivalente a quase 7% do PIB, um volume enorme de dinheiro, mesmo pelos padrões da China.

Algumas cidades desviaram-se da ideia do presidente Xi Jinping de criar cidades com uma identidade cultural própria. Yucheng, uma pequena cidade em Zhejiang, divulga o slogan de “cidade feliz”, com sex shops e um motel para encontros amorosos. Zhongxian, uma cidade pobre na região oeste do país, quer ser um centro de jogos online. As autoridades locais estão construindo um estádio com 6 mil lugares para sediar competições esportivas online, apesar de planos semelhantes de outras três cidades.

Será preciso encontrar um equilíbrio entre cidades que já têm uma característica forte como Haiyan, com uma usina nuclear em operação há mais de 20 anos, e outras sem experiência em turismo, ou com autoridades locais com projetos diferentes da orientação do governo central.

 

Fontes:
The Economist-China pushes towns to brand themselves, then regrets it

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