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ECONOMIA

Cinco desafios a serem enfrentados pela nova diretora do FMI

A economista Kristalina Georgieva enfrentará uma série de desafios como chefe do FMI em um momento instável da economia mundial

Cinco desafios a serem enfrentados pela nova diretora do FMI
Atual chefe executiva do Banco Mundial, Georgieva deve assumir em outubro o posto de Christine Lagarde (Foto: World Bank Group/Grant Ellis)

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A economista búlgara Kristalina Georgieva é a única candidata a substituir Christine Lagarde no cargo de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Georgieva, de 66 anos, diretora-executiva do Banco Mundial desde 2017, enfrentará uma série de desafios como chefe do FMI em um momento instável da economia mundial.

Uma defensora do multilateralismo, Georgieva deve manter o foco recente de Lagarde no combate às mudanças climáticas, no incentivo à participação da mulher no mercado de trabalho e na redução da desigualdade. Em 2010, Georgieva recebeu o título de Comissária do Ano pela ajuda humanitária prestada ao Haiti e ao Paquistão. E, de 2014 a 2016, exerceu o cargo de vice-presidente da Comissão Europeia. No entanto, apesar de sua experiência na área internacional, ela tem menos vivência do que Lagarde no setor financeiro.

Enquanto Georgieva aguarda sua nomeação oficial como diretora-gerente do FMI, que deverá ser anunciada até o início de outubro, o Financial Times fez uma lista de cinco grandes desafios que ela irá enfrentar em seu mandato.

O futuro da Argentina

O FMI concedeu um empréstimo de US$ 57 bilhões, o maior de sua história, à Argentina para que o presidente Mauricio Mari fizesse reformas estruturais para reerguer a economia do país, mas o plano econômico de Macri foi um fracasso.

Segundo as pesquisas de intenção de voto, Macri será derrotado nas eleições presidenciais pelo candidato kirchnerista Alberto Fernández, um crítico do FMI e dos termos do empréstimo.

A perspectiva da derrota de Macri causou a desvalorização do peso e a compra de dólares. Diante dessa perspectiva, é possível que o FMI tenha de renegociar os termos do empréstimo.

A desaceleração econômica 

De acordo com as previsões do FMI, a produção mundial terá um crescimento de 3,2% este ano, uma redução em comparação com um crescimento de 3,8%, em 2017, e de 3,6%, em 2018. A tendência de queda sugere que mais países recorrerão à ajuda financeira do fundo.

Guerra comercial

A guerra comercial entre os EUA e a China não só teve um impacto negativo na economia mundial, como também envolveu instituições multilaterais, como o FMI, no confronto.

Georgieva tem boas relações com Donald Trump e Xi Jinping, assim como Lagarde. Mas, em meio à disputa comercial e o conflito de interesses, é possível que os EUA ou a China contestem os resultados das pesquisas e das previsões do FMI, além de criarem obstáculos para a concessão de resgates financeiros controversos. O Código de Transparência Fiscal em que os especialistas do fundo avaliam os efeitos cambiais sobre a dívida externa também poderá sofrer pressão dos EUA e da China.

A arrecadação de fundos

Georgieva terá de concluir a negociação iniciada por Lagarde para renovar o acordo de concessão de verbas do governo americano para que o FMI mantenha uma reserva financeira no valor de US$ 1 bilhão. Mas, na opinião de analistas, essa quantia não será suficiente para ajudar os países com problemas econômicos em face de uma possível recessão ou uma nova crise financeira mundial.

Os maus gestores de recursos financeiros

Assim como a Argentina, que busca renegociar os prazos da dívida com o FMI, em um momento em que os mercados temem que o país se torne inadimplente, os governos da Ucrânia e do Paquistão, apesar dos empréstimos do fundo, nunca conseguiram recuperar e estabilizar a economia de seus países.

Depois da posse do novo presidente, em maio, o governo da Ucrânia está negociando um novo empréstimo com o FMI ainda este ano. Após meses de negociações, em julho o FMI decidiu conceder mais uma ajuda financeira ao Paquistão, apesar das dúvidas em relação à eficácia de seu programa de recuperação econômica.

Fontes:
Financial Times-Five challenges facing incoming IMF chief Kristalina Georgieva

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