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Energia em foco

Com a crise, investimentos em etanol sofrem recuo

A crise de crédito pela qual passa o globo no momento já deu sinais da sua . O dinheiro fácil e rápido não é mais visível, o que demonstra que a linha de financiamentos, que se encontrava ao alcance de muitas empresas, está, atualmente, cara e de difícil acesso.

Nesse contexto, a relação oferta e demanda sofrerá os efeitos da crise, com o enfraquecimento do consumo e as dificuldades dos ofertantes em alocar os excedentes de produção. Os resultados dessa equação são explosivos: demissões, desvalorização dos ativos das empresas, postergação de investimentos.

Dentro dessa corrente conjuntural, o setor de biocombustíveis, que, até anos atrás, era protagonista dentro da matriz energética brasileira, começa, também, a sentir os ventos da crise. Em entrevista concedida ao site Opinião e Notícia, Roberto Rodrigues, ex-ministro de Agricultura e, hoje, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, afirmou que o setor de biocombustíveis vive, atualmente, forte paralisaçãoões nos investimentos. "Muitos investidores estão optando por comprar usinas já prontas. Como o cenário ainda é muito nebuloso, adiam investimentos em novas usinas", disse, Rodrigues, que também exerce o cargo de co-presidente da Comissão Interamericana do Etanol. Ele foi um dos que tiveram que adiar investimentos na construção de uma usina, juntamente com um grupo de investidores estrangeiros, na região do Triângulo Mineiro. Ao traduzir a situação em números, o coordenador da FGV disse que dos 140 projetos previstos para este ano e próximos, menos de 50% terão andamento. O ex-ministro revelou, ainda, que os investidores têm buscado usinas que passam por sérias dificuldades financeiras, justamente, por estarem com preços abaixo do mercado. "Há muita gente quebrando mesmo. Essa crise vem se mostrando séria e intensa".

Inadimplência

De fato, a crise vem fazendo com que usineiros passem por dificuldades em honrar dívidas contraídas com fornecedores. Prova disso, é a grande inadimplência vivida pelo setor de fornecimento de equipamentos de usinas para o etanol. A Dedini Indústrias de Base, a maior empresa do setor, está renegociando as dívidas com inadimplentes, segundo confirmou a sua assessoria de imprensa. A empresa encerrou 2008 com faturamento entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,2 bilhões, aumento de 15% sobre 2007. O aumento no faturamento é explicado pela grande demanda ocorrida antes da eclosão da crise em setembro do ano passado.

Na avaliação de Roberto Rodrigues, para melhor enfrentar a crise no curto prazo, governo brasileiro deveria atuar em três frentes: facilitar o acesso ao ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio), aumentar os prazos para o financiamento de estocagem e incrementar mecanismos que permitam maior fluxo de capital de giro nas localidades dependentes do comércio de etanol se dá de forma mais dura.
O ex-ministro ressalta, entretanto, que a turbulência financeira não fará com que o etanol, a médio e longo prazo, perca a importância que adquiriu nos últimos anos, como fonte de energia alternativa ao combustível fóssil. "O século XXI será o da busca pela segurança energética. Além disso, ele disse acreditar que, mesmo com o barril de petróleo chegando a US$ 35, o etanol de cana ainda conseguirá manter-se competitivo. "Essa crise, apesar de grave, é passageira. O etanol já é uma realidade energética para o futuro", disse. Ele acrescentou que o biocombustível tem, cada vez mais, papel de importância, sobretudo para a questão de segurança energética. " O mundo aprendeu, recentemente, que o petróleo não é mais uma fonte de energia confiável. Quando a crise passar e a economia mundial retomar o crescimento, o etanol terá, novamente, grande destaque e, o Brasil reunirá condições para articular esse processo", avaliou.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, em2008, , as exportações brasileiras de etanol somaram 5,16 bilhões de litros. Esse resultado representou um aumento de 45,7% em relação a 2007. Para 2009, a Petrobras anunciou para os próximos quatro anos nvestimentos de US$ 2,4 bilhões para produção de etanol e biodiesel. Os recursos representam um aumento de 87% em relação ao plano anterior.

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2 Opiniões

  1. Dorita disse:

    A crise vai adiar a transformação energética global. Se estamos o etanol está muito barato e não está valendo investir, o carvão do leste europeu segue feliz e poluindo.

  2. Robson Silva disse:

    Lamentável que a crise atrapalhe a produção de combustível limpo e retarde o combate à destruição ambiental.

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