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O futuro da região

Comerciantes ou missionários?

As grandes potências da região do Pacífico precisam ser pragmáticas e não dogmáticas

Comerciantes ou missionários?
Como em todas as negociações bem-sucedidas, os Estados Unidos e a China precisam fazer concessões mútuas (Reprodução/AP)

Os líderes em Washington e Pequim estão seguindo caminhos diferentes. De acordo com os chineses, os Estados Unidos (EUA) estão cada vez mais prepotentes, mas na opinião dos americanos a China intimida os países vizinhos, muitos deles aliados fiéis dos EUA. A Cingapura é um lugar estratégico para observar essa tensão. Ao mesmo tempo que incentiva a presença marcante dos americanos na região para contrabalançar a atuação da China, a Cingapura tenta seguir a perspectiva chinesa. Os estudiosos locais dizem que uma das principais dificuldades de relacionamento com os Estados Unidos refere-se à “universalidade” de sua crença nos valores universais, como direitos humanos. Por sua vez, o problema com a China reside na ancestralidade de sua história, que a aproxima de uma verdade universal.

Wang Gungwu, presidente da Lee Kuan Yew School of Public Policy em Cingapura, disse que a China sente uma irritação especial com o sentido de imutabilidade de sua posição de superpotência, sobretudo, em uma região que, historicamente, sofreu a influência da China. Os Estados Unidos libertaram a região do imperialismo japonês e eliminaram a disseminação comunista, mas aos olhos da China isso não lhe dá direito de manter uma hegemonia eterna na Ásia. Além disso, a hegemonia geopolítica dos EUA de certa forma é um obstáculo ao status de potência em ascensão da China. “A ideia de um status quo eterno é oposta à maneira de pensar dos chineses. Ao longo de sua história a norma foi a mudança.”

Os regulamentos ocidentais são outra fonte de tensão. Para a China e outras regiões da Ásia, a ideia da rigidez dos princípios da liberdade dos mares, democracia e direitos humanos é um anátema, disse Wang Gungwu. “Nada é absoluto, tudo é negociável.” A história da região, com a chegada dos imperialistas e missionários nos mesmos navios, incutiu cautela no pensamento dos asiáticos com relação aos valores absolutos. “Sabemos que a ideia ocidental de regras origina-se de uma longa tradição jurídica, mas pessoas práticas reconhecem que as leis mudam”, continuou Gungwu. Em sua opinião, os homens de negócios americanos entendem esse questionamento, porém os “missionários políticos não”.

Como em todas as negociações bem-sucedidas, os Estados Unidos e a China precisam fazer concessões mútuas. Com esse espírito em mente, a região do Pacífico poderá criar novas regras e instituições apropriadas ao século XXI.

Fontes:
The Economist-Merchants or missionaries?

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