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África

Como a extração de petróleo mudou o ritmo de uma pequena cidade africana

A região selvagem e rica em petróleo de Turkana é um exemplo da rapidez das mudanças no continente africano

Como a extração de petróleo mudou o ritmo de uma pequena cidade africana
Empresas se reúnem com a líderes das comunidade de Turkana (Foto: Divulgação/ERHC Energy/Dan Keeney)

A região árida ao redor do lago Turkana, o maior lago de deserto do mundo, localizado no noroeste do Quênia, é chamada de berço da humanidade. Ao longo do século passado, muitos fósseis de ancestrais humanos foram encontrados em boas condições de preservação no cerrado com ventos constantes, longe das estradas pavimentadas e da interferência moderna. A vida em Turkana manteve-se inalterada durante séculos. Ainda hoje os habitantes dessa região remota vivem da agricultura e só uma fração minúscula é alfabetizada. Mas nos últimos anos a situação começou a mudar de uma maneira radical.

A descoberta de petróleo em 2012 significou uma mudança decisiva para a região. O Quênia reuniu-se ao grupo cada vez menos exclusivo de países que explora hidrocarbonetos (atualmente, 90% dos países africanos exploram e produzem hidrocarbonetos). Turkana foi invadido por equipamentos, estradas e estrangeiros corpulentos e prósperos. As empresas Tullow e Africa Oil, com sede em Londres e Vancouver respectivamente, descobriram jazidas de petróleo bruto em quantidade suficiente para ter uma produção viável do ponto de vista comercial. Por insistência do governo, as empresas contrataram milhares de moradores como empregados, enriqueceram a população da região mais pobre do Quênia e construíram o prédio mais alto de Turkana, uma casa de dois andares.

Algumas cidades cresceram 500% em dois anos. Famílias nômades começaram a criar raízes e a construir suas casas. Elijah Kodoh, um funcionário local, disse que “as pessoas estavam adotando um estilo de vida sedentário com rapidez”. As lojas abriram em locais onde nunca havia tido comércio.

Em alguns aspectos, Turkana é um exemplo típico da África. A maneira de viver tradicional e valorizada pela população está desaparecendo mais rápido do que em qualquer período dos últimos 3,3 milhões de anos. O caminho para o desenvolvimento será turbulento e as elites serão as maiores beneficiárias do boom econômico. No entanto, é difícil encontrar alguém no condado que preferiria ter nascido em uma época anterior.

Fontes:
The Economist-A glimpse of Africa’s future

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