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Escândalo do Barclays

Como evitar a proliferação de escândalos como o da LIBOR?

Sistema de taxas interbancárias deve ser substituído por fórmula com base em valores reais

Como evitar a proliferação de escândalos como o da LIBOR?
Os gângsters bancários, ou 'banksters': solução para o problema começa com a punição dos culpados pela fraude nas taxas de comércio intrabancário (Derek Bacon)

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As evidências que surgiram a partir da investigação do Barclays revelam dois tipos de mau comportamento. O primeiro foi projetado para manipular a LIBOR (a taxa de comércio interbancário de Londres) para reforçar os lucros dos operadores. Um quadro semelhante de conluio generalizado surge a partir de documentos relacionados à investigação canadense. Esta porção do escândalo LIBOR se parece menos com descontrole comercial, e mais com um cartel.

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O segundo tipo de fraude da LIBOR, que começou em 2007 com o início da crise de crédito, também pode levar a processos judiciais, mas é eticamente mais complicado, porque não havia um “bem público” das partes envolvidas. Durante a crise, um alto valor da LIBOR era amplamente visto como um sinal de fragilidade financeira. O Barclays reduziu a sua taxa para que pudesse voltar para o grupo de bancos que contribuía apara a EURIBOR (versão europeia da taxa); divulgou evidências que poderiam ser interpretadas como um aceno implícito do Banco da Inglaterra (e de figuras importantes do governo britânico) para fazê-lo. O Banco Central nega isso, mas na ocasião, os governos estavam desesperados para reforçar a confiança nos bancos e manter o crédito fluindo. A suspeita é que pelo menos alguns bancos estavam submetendo estimativas baixas da LIBOR com permissão de seus reguladores.

Quando a confiança acaba

A história agora provavelmente passará para os tribunais civis em todo o mundo, o que poderia ser um longo processo. De uma perspectiva de interesse público, há duas tarefas pela frente. A primeira é descobrir exatamente o que aconteceu e punir os envolvidos. Onde o único motivo era ganância, os indivíduos diretamente envolvidos em fraudes devem ser presos. Se a taxa foi reduzida para manter a sobrevivência do banco, e os reguladores estavam envolvidos, tanto os banqueiros e seus reguladores devem explicar por que se encarregaram de pôr em perigo a reputação da cidade dessa maneira. No Reino Unido, um inquérito independente faz sentido: quanto mais rápido, melhor. Essa alternativa defende a espécie parlamentar que o governo quer, ao invés da variedade judicial que a oposição exige.

A segunda tarefa é mudar a maneira como as finanças são executadas e a cultura bancária. Este, afinal, não é o primeiro escândalo deste tipo: Wall Street teve vários. Uma caça às bruxas seria desastrosa, mas a cultura surge a partir da estrutura. O argumento para a divisão entre bancos de investimento e varejo por critérios “morais” é fraco, mas os bancos individuais poderiam fazer mais: coletar multas a partir do conjunto de bônus é um exemplo. E algumas regras devem mudar. A LIBOR é definida não sob um regulador, mas sim de um corpo do comércio, a Associação dos Banqueiros Britânicos. Isso pode ter funcionado nos dias cavalheirescos quando “as sobrancelhas do governador” eram suficientes para manter os bancos em ordem.
Hoje, a cidade é o maior centro mundial de finanças internacionais.

No futuro, a LIBOR e suas equivalentes, como a EURIBOR devem ser definidas com base em custos de empréstimos reais, e não estimados. Isso nem sempre é possível nas finanças: quando os mercados estão ilíquidos ou pouco movimentados, os números hipotéticos podem ser necessários para produzir um limite. Mais bancos devem ser obrigados a participar do painel de credores, de modo que ele seja menos corruptível. Os dados devem ser cruzados, sempre que possível, perguntando aos bancos o que eles cobram para emprestar, bem como quanto lhes custa pegar emprestado. E todo o processo deve ser intrusivamente monitorado por um regulador exterior.

“O banqueiro deve sempre se conduzir de modo a justificar a confiança de seus clientes nele”, disse JP Morgan júnior. Essa confiança foi perdida: ela deve ser recuperada.

Fontes:
The Economist - Banksters

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