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COMPRAS DE NATAL

Consumidor precavido deverá gastar pouco, diz FGV

Os presentes de Natal com ticket médio de até R$ 50,00 são a preferência de 41,2% dos entrevistados em pesquisa do Ibre-FGV

Consumidor precavido deverá gastar pouco, diz FGV
Artigos de vestuário serão os presentes preferidos para o Natal (Foto: Flickr/Manuel Ramada)

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Depois de passar o último Natal no olho do furacão de uma das maiores crises econômicas do país, parece que o consumidor das sete principais capitais brasileiras continua recuperando o ânimo para gastar, mas ainda abaixo do nível observado, por exemplo, em 2014. É o que revela a Sondagem do Consumidor, feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) para este Natal. Dos 1.869 entrevistados no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador, 46,8%, em média, declararam estar dispostos a desembolsar o mesmo que gastaram no ano passado. O percentual é muito próximo ao de pessoas (46,5%) que pretendem consumir menos do que em 2016. Apenas 6,7% afirmaram que deverão gastar mais no que no Natal passado.

Segundo o levantamento, a disposição do consumidor para o consumo varia de acordo com a faixa de renda. Os mais pessimistas são os que recebem até R$ 2.100,00. Assim, 63,1% disseram que gastariam menos, contra somente 3,5% que estão dispostos a gastar mais neste Natal. Em contrapartida, no grupo com renda acima de R$ 9.600,00, 59,7% devem manter o nível de gastos e 8,8% pretendem desembolsar mais.

Os presentes com ticket médio de até R$ 50,00 são a preferência de 41,2% dos entrevistados. O destaque está no grupo que vai gastar entre R$ 201,00 e R$ 500,00. Essa parcela de consumidores subiu de 5,3% para 7,2%, dos 25,8% que querem investir mais de R$ 100,00. Será ainda mais um Natal de “lembrancinhas”. “O resultado mostra uma recuperação no ímpeto de compra dos consumidores maior do que nos dois últimos anos para todas as faixas de renda, mas ainda menor do que em 2014”, analisou Viviane Seda, coordenadora da Sondagem do Consumidor do FGV IBRE e responsável pela pesquisa.

Como tem ocorrido nos últimos anos, artigos de vestuário serão os presentes preferidos para o Natal. Em 2017, a pesquisa mostrou que 41,7% das pessoas devem optar por este item, seguido por brinquedos (22,9%), lembrancinhas (12,3%), artigos pessoais (4,8%), livros (3,7%) e calçados (3,7%). Para a economista, “a grande maioria dos consumidores prefere ainda dar roupas por ter uma grande variedade de preços”.

Comércio espera aumento nas vendas

Para Pierre Sarruf, diretor da loja Rei do Armarinho e da União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco), em São Paulo, as vendas neste Natal estão melhores, com expectativa de aumento de 5% em relação ao ano anterior. ”A população está menos endividada e gastando mais”, comemora Sarruf, destacando que cerca de 700 mil pessoas passam por dia pela rua 25 de Março, entre consumidores finais e atacadistas. “Em alguns dias, o número passa de um milhão”, revela.

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) concorda com a FGV ao avaliar que esse é o melhor desempenho dos últimos três anos e com a Univinco ao estimar em 5% o aumento no movimento nas vendas em relação ao período natalino de 2016. Mas seu presidente, Alencar Burti, acha que o resultado do comércio varejista da capital paulista não recupera as perdas decorrentes da recessão econômica.

Economista alerta para a retomada do consumo

Em entrevista exclusiva ao Opinião e Notícia, o responsável pela coleta e divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S), também economista da FGV, André Braz, acha que este será o Natal do comedimento. “A economia está se recuperando lentamente. Apesar disso, o desemprego está elevado, acima de 12%. Isso limita a capacidade de consumo das famílias. No entanto, o otimismo que ronda o consumidor – ansioso pela retomada da economia – pode favorecer um pouquinho o consumo neste Natal”.

Braz destaca que o sofrimento é o melhor aprendizado. “Com certeza, as famílias passam a limpo as despesas em períodos de vacas magras. O risco ocorre na retomada. Desejos reprimidos por muitos meses podem fazer o consumidor gastar mais com a melhora da atividade. Devemos aprender a programar nossas despesas privilegiando compras à vista, evitando parcelar no cartão e, ao mesmo tempo, procurando boas promoções”, ensina.

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