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COPOM tem decisão difícil na quarta-feira

Em meio à intensa volatilidade e à incerteza sobre a recessão internacional atingindo o Brasil, e grandes pressões — quase ameaças — do Palácio do Planalto, o COPOM decidirá na próxima quarta feira, 10 de dezembro, a nova taxa de juros básica da economia. Não há consenso entre os analistas, mas pensamos que o COPOM reduzirá a taxa em 0,25%, pelo conservadorismo que lá predomina; em nossa opinião seria possível e desejável que ele fosse mais além, chegando aos 0,5%, considerando que:

1. Temos que nos precaver com grande cautela contra os efeitos da recessão mundial, já que a tese do descolamento do Brasil está obsoleta, se é que em algum momento teve fundamento. Se o Brasil do General Geisel em 1974, na crise do petróleo, não era “a ilha de prosperidade num mar turbulento” agora em 2008 a “tsunami vai chegar como uma marolinha”, também não é verdadeiro, como previu o presidente Lula, principalmente porque (a) o comércio exterior brasileiro cresceu nos últimos 5 anos de US$ 121 bilhões para US$ 281 bilhões (+132 %), (b) o fluxo de investimentos diretos do exterior é muito superior — nos dois sentidos — e (c) o fluxo de capital financeiro é muito mais intenso.

Os efeitos da desaceleração global em diversas indústrias locais (com destaque para a automobilística) e no comércio já são recessivos, e há o lead-time do efeito da política monetária que só terá impacto em seis ou mais meses; aí será tarde para apelar para a política monetária, com grande implicação política negativa, já às vésperas de nova eleição presidencial.

2. Com a escassez de crédito na economia mundial e brasileira e num ambiente de incerteza, não há sentido em manter altas as taxas de juros já que o crédito é nesse momento fundamental para a sustentação da demanda doméstica. O Banco Central funciona um pouco como uma caixa de câmbio de automóvel: ele não reduz direto da 4ª marcha para a 2ª marcha, sem antes passar pela 3ª; assim, na reunião anterior ele manteve a SELIC estável, agora ele pode reduzir.

3. Os recentes dados de inflação mais baixa e a confirmação das previsões de inflação no mesmo sentido, a despeito do aumento da taxa de câmbio, confirmando-se que a queda do preço das principais commodities mais do que compensa o dólar alto; em outro estudo que fizemos quando o Real se apreciou muito até agosto de 2008, no sentido inverso, o aumento do preço das commodities ficou neutralizado pela forte apreciação cambial, não resultando em mais inflação, o que no entanto não chega a garantir muita coisa agora.

4. A redução geral da taxa de juros de todos os bancos centrais (há previsão do Federal Reserve baixar de 1,0 para 0,25%!); de outra forma vamos ficar completamente fora da curva num mercado globalizado, de vasos comunicantes e comunicações instantâneas, conquistando a posição de taxa de juros mais alta do planeta, em todos os tempos, acima da Turquia, Venezuela e outros países descontrolados.

5. A expectativa de que em 2009 o Banco Central vai ficar satisfeito em atingir o intervalo maior da meta de inflação, o que permitiria mais liberalidade agora.

É possível que vejamos uma decisão não unânime da próxima reunião, podemos ter placares aleatórios.

Fontes:
Valor Online - BC pode sinalizar queda da Selic

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1 Opinião

  1. M H Simonsen disse:

    O Palácio do Planalto teme que o desemprego com a alta taxa de juros venha prejudicar sua candidata Dilma, sabe-se como funcionam estes sindicalistas que ocupam o o Alvorada com demagogia.

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