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'Piedade filial'

Cresce o número de idosos vivendo sozinhos na China

Apesar do apoio financeiro do Estado ter melhorado na última década, muitos milhões de chineses idosos ainda não têm pensão ou aposentadoria

Cresce o número de idosos vivendo sozinhos na China
Cada vez mais, os pais estão vivendo sem seus filhos e quando um dos cônjuges morre, o outro muitas vezes vive sozinho (Foto: Pixabay)

A China está lutando para lidar com uma sociedade que envelhece rapidamente e um número crescente de pessoas idosas que vivem sozinhas. Um ditado diz tudo sobre o hábito do país: “yang er fang lao” ou “crie os filhos para a sua velhice”. A casa de repouso continua sendo uma opção extremamente rara para o chinês. No entanto, as coisas estão mudando rapidamente.

Apesar de atualmente quase três quintos das pessoas com mais de 65 viver com seus filhos, uma proporção mais elevada do que nos países mais ricos, a situação está mudando. Cada vez mais, os pais estão vivendo sem seus filhos e quando um dos cônjuges morre, o outro muitas vezes vive sozinho. Um quinto de todos os domicílios com apenas uma pessoa na China é de pessoas com mais de 65 anos. Em contraste com os chineses mais jovens que vivem sozinhos, poucos idosos fazem isso por opção. Neste cenário, muitos têm baixa escolaridade. As mulheres são maioria, já que elas tendem a viver mais que seus maridos.

A China, por sua vez, não está preparada para as conseqüências desta mudança. O governo acredita que as famílias devam viver juntas e ajudar aqueles que não são capazes de cuidar de si mesmos. Apesar do apoio financeiro do governo ter melhorado na última década, muitos milhões de chineses idosos ainda não têm pensão ou aposentadoria. E para piorar, a situação das zonas rurais está muito aquém das cidades em relação a provisão de pensões e cuidados de saúde para os idosos.

Em 2025, quase um em cada quatro chinês terá mais de 60 anos. A política do filho único da China fez com que menos pessoas da geração mais jovem estivessem em torno do idoso para morar com ele. Em 2050, é provável que sejam apenas 2,5 adultos em idade de trabalhar para cada pessoa com mais de 65, número bem abaixo do atual, oito.

Apesar dos desafios, muitos chineses ainda consideram a responsabilidade para com a sua família como uma característica definidora de sua cultura. Mas a expectativa de “piedade filial” significa que aqueles que não a recebem se sentem envergonhados ou isolados, diz Jean-Jun Wei Yeung, da Universidade Nacional de Cingapura. Muitos ficam relutantes em procurar a ajuda de vizinhos quando precisam, por exemplo.

O governo reconhece o problema. Quando relaxou a política do filho único em 2013, o número crescente de idosos que vivem sozinhos já era uma razão. Além disso, segundo um estudo realizado em 2013 por Na Yu, do Instituto de Tecnologia de Pequim, quase nenhum bairro na capital oferece uma gama completa de serviços básicos necessários para os idosos.

Este é o pano de fundo para o aumento da taxa de suicídio entre os idosos da China. Entre 2009 e 2011, quase metade de todos os suicídios foram cometidos por pessoas acima de 65 anos. O governo tentou impor a “piedade filial”, aprovando uma lei em 2013 que ameaçava de multas ou prisão as pessoas que não conseguissem visitar os pais. É uma resposta fútil. Em uma China em rápida mudança, é necessário um empenho e uma ajuda muito maior do governo.

Fontes:
The Economist-The state is unprepared for rising numbers of old people living alone

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