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TRANSPORTE DE CONTÊINERES

Crise afeta setor de transporte marítimo de carga

Das 12 maiores companhias de navegação de carga que publicaram resultados financeiros no último trimestre, 11 revelaram enormes perdas

Crise afeta setor de transporte marítimo de carga
Crise tem causado grandes prejuízos ao comércio (Foto: Pixabay)

Nas últimas semanas, muitos varejistas americanos começaram a se preocupar com as vendas no Natal, a melhor época do ano, porque a expectativa poderia ser desastrosa. No final de agosto, Hanjin Shipping, a maior companhia de navegação de transporte de contêineres da Coreia do Sul e a sétima do mundo, entrou com um pedido de concordata.

Em torno de 66 navios da companhia carregados com mercadorias no valor de US$14,5 bilhões, entre as quais diversos equipamentos eletrônicos que seguiam para os Estados Unidos, ficaram à deriva no mar. Os portos no mundo inteiro impediram que os navios atracassem, porque a companhia não tinha dinheiro para pagar as taxas de desembarque das mercadorias. Tampouco queriam que os navios ocupassem seus valiosos ancoradouros durante meses à espera de uma solução dos credores.

Embora o Hanjin Group tenha prometido pagar US$90 milhões para que alguns navios ancorassem, essa quantia representou apenas uma parte dos US$270 milhões necessários e, portanto, a maioria ainda não conseguiu atracar.

As empresas que precisam transportar suas mercadorías por via marítima estão preocupadas que outras companhias de navegação de carga também entrem com o pedido de concordata, causando um caos em sua cadeia de suprimentos. Com receitas de cerca de US$170 bilhões, as companhias de transporte de contêineres devem ter um prejuízo de até US$10 bilhões este ano, segundo a empresa de consultoria Drewry.

Das 12 maiores companhias de navegação de carga que publicaram resultados financeiros no último trimestre, 11 revelaram enormes perdas. A companhia dinamarquesa Maersk, a maior do mundo, também está em dificuldades financeiras e anunciou em 22 de setembro a separação das atividades de navegação e energia, mantendo como atividade central o transporte e a logística. Diversas companhias menores estão à beira da falência. Agora os investidores ativistas estão pressionando-as a fazerem fusões, a fim de evitar o mesmo destino da Hanjin.

A concordata da Hanjin e o péssimo desempenho de outras companhias de navegação são o resultado do excesso de capacidade da indústria naval. Desde a crise financeira mundial, os estaleiros construíram muitos navios e poucos foram desativados, ao passo que o crescimento do comércio global desacelerou. Um índice de rendimentos elaborado pela empresa de pesquisa Clarksons, abrangendo os principais tipos de navios – graneleiro, de transporte de contêineres, navio-petroleiro e de transporte de gás – atingiu o mínimo em 25 anos em meados de agosto. A média no primeiro semestre de 2016 teve uma redução de 30%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e uma queda de 80% comparada ao valor máximo em dezembro de 2007.

Fontes:
The Economist-Why billions of dollars of goods are stuck at sea

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