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Crise freia ascensão da classe média

Estagnação põe em risco as conquistas da nova classe C, que sofre com desemprego e perda do poder de compra

Crise freia ascensão da classe média
Classe média teme a perda de tudo o que alcançou desde 2003 (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Graças à pior estagnação econômica no país em um quarto de século, a nova classe C, base leal de apoio ao Partido dos Trabalhadores nas últimas eleições, está em uma encruzilhada. Muitos já temem a perda das conquistas alcançadas nas últimas décadas. A análise faz parte de uma série de reportagens especiais sobre a economia brasileira publicada no Financial Times nesta terça-feira, 12.

Hoje os brasileiros estão devendo mais. A inadimplência atingiu, em abril, sua maior taxa em cinco anos. O menor crescimento da renda do trabalhador, aliado a uma inflação alta e maiores gastos com tarifa e combustíveis se somam à frustração.

Durante os protestos de 2013, a classe média deixou claro que, além de máquinas de lavar roupa, eles queriam uma educação melhor, hospitais e outros serviços públicos de qualidade. Agora, muitos temem a perda de tudo o que alcançaram.

Sinais dessa “retração da classe média” já são aparentes. Em novembro passado, o Ipea disse que o número de brasileiros em situação de extrema pobreza aumentou em 2013 pela primeira vez desde 2003. A classe C também não é mais o motor do consumo no país, de acordo com a Nielsen, uma consultoria. As classes A e B, que representam 33% da população do Brasil – são responsáveis ​​por 60% do crescimento dos gastos no Brasil, enquanto a Classe C, com 53% da população – responde por apenas 33% do crescimento dos gastos, de acordo com dados da Nielsen divulgados em março. Em 2009, os brasileiros da classe C representavam 60% desse crescimento.

Apesar dos esforços recentes do governo para melhorar as contas fiscais e atrair a promessa de investimentos, as incertezas sobre o futuro da classe C a longo prazo permanecem.  A maior preocupação é o aumento do desemprego, principalmente entre os jovens, e a volta da inflação.

O IPCA, que mede a inflação oficial do país, passou de 8% no acumulado em 12 meses. A taxa de desemprego subiu para 7,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Há um milhão a mais de desempregados. Esses números atestam a deterioração simultânea do emprego formal e do poder de compra.

“Quando as famílias vão ao supermercado, elas já não podem encher seus carrinhos como costumavam fazer com a mesma quantidade de dinheiro, e quando eles ligam a TV, a notícia é sobre a corrupção “, diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. “Eles estão com pouco dinheiro e, ao mesmo tempo, estão sendo informados que foram roubados.”

 

 

Fontes:
Financial Times - Brazil´s Middle Class Starts to Lose Ground

2 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    A Margareth Thatcher, na década de 80, deu a solução para este tipo de problema, especialmente, sobre ninguém, especialmente os governos de ESQUERDA, que não têm compromisso com a realidade, gastar mais do que ganha ou arrecada.
    Persistindo no erro, um dia a casa cai, ou a conta chega, sob a forma de inflação que destrói a “nova classe C”, mais do que qualquer outra classe, exceção feita às classes D, E, F, G, etc.
    Infelizmente, os esquerdistas sempre acham que estão descobrindo o “moto perpétuo” e ainda acreditam que existe almoço grátis.
    No dia em que caírem na real, os esquerdistas honestos, desejarão votar na direita, que nem existe no Brasil, portanto eventuais luzes no fim do túnel são da locomotiva da inflação destruindo quem encontrar pela frente.
    Nossos agradecimentos à esquerda brasileira pelo espetáculo que se avizinha!!!

  2. helo disse:

    De fato o modo de governar toma-lá-dá-cá, endividou o país e atingiu a nova classe C, que precisaria da educação e da saúde de qualidade para se consolidar e enfrentar a crise. Sem planejamento até mesmo sem projeto, e com muita corrupção, os investimentos do governo se tornaram desnecessariamente mais caros. Pena.

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