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Dia das mães

Dedicação integral ou carreira profissional?

Especialistas em empregabilidade consideram que o período de três meses já é tempo suficiente para dificultar o acompanhamento das constantes mudanças existentes no mercado de trabalho. Por Emanuelle Bezerra

Dedicação integral ou carreira profissional?
Mais de 50% das mães de bebês ou de crianças em idade pré-escolar trabalham fora de casa

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O sonho profissional e a realização da maternidade vêm sempre acompanhados de um grande conflito: como se dedicar aos filhos e, ao mesmo tempo, crescer profissionalmente? Mais de 50% das mães de bebês ou de crianças em idade pré-escolar trabalham fora de casa. Os motivos para voltar ao trabalho são muitos: necessidade financeira, atualização na carreira ou mesmo por gostarem do que fazem. Apesar da emancipação da mulher ter sido uma das maiores evoluções do século XX, esse rápido progresso trouxe mudanças significativas na relação entre mães e filhos.

Na contramão da sua geração está Jacqueline Mendonça, que fez o que pode parecer impensável para muitas mulheres hoje em dia: abriu mão de uma carreira profissional. Ela foi demitida meses antes de se casar. Um ano depois,  quis mudar de ramo, e começou a fazer faculdade de fonoaudiologia. Logo nos primeiros semestres ela engravidou e os dilemas começaram. Jacqueline decidiu parar a faculdade para se dedicar integralmente aos filhos Daniel e Débora, hoje com 5 e 3 anos. “Optei por eu mesma educar os meus filhos. Não que essa seja a melhor ou a pior opção, mas essa foi a minha escolha. Eu sempre sonhei em amamentar, ensinar a andar, participar plenamente dos processos de desenvolvimento deles, e se eu tivesse uma carreira isso não seria possível, não totalmente como foi”.

A psicanalista Márcia Rodrigues Ganime, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio ressalta que a mulher deve buscar em primeiro lugar a sua realização. E que isso não deve estar concentrado apenas no trabalho ou apenas nos filhos, mas naquilo que a mulher pretende conquistar na vida. “É importante a mãe ser uma mulher feliz, independentemente de trabalhar ou não. Se o sonho é ser mãe, que seja. Se é ser profissional, que se dedique a isso”.

Hoje, com os filhos mais crescidos, Jacqueline se atualiza para voltar ao mercado de trabalho. Ela é professora primária e busca agora novas experiências profissionais para depois poder competir no mercado. “Os meus filhos são meu principal ofício. O objetivo da minha vida é formar um homem e uma mulher de caráter. Mas hoje, na idade deles, eu já vejo uma possibilidade de trabalhar. Eu desisti da fonoaudiologia e irei me concentrar na minha área de atuação”.

Especialistas em empregabilidade consideram que o período de três meses já é tempo suficiente para dificultar o acompanhamento das constantes mudanças existentes no mercado de trabalho — independentemente da área profissional em que se atue. Isso dificulta a decisão de mães que pretendem passar um tempo maior com os seus filhos do que garantem as licenças maternidade.

Muitas mulheres que decidem se dedicar ao trabalho convivem com a culpa de não estarem integralmente com seus filhos. Fato é que ser uma profissional bem sucedida e ter filhos é somar responsabilidades. Mas a dupla de mães norte-americanas Cathy Greenberg e Barrett Avigdor, autoras do livro What Happy Working Mothers Know (O que mães felizes que trabalham sabem, em tradução livre) argumentam que mães mais felizes no trabalho, criam filhos mais felizes.

Elas entrevistaram mais de mil mães de diversos países, entre eles o Brasil. Todas, na época, estavam no mercado de trabalho. Com o material em mãos, escreveram o livro e incorporaram todas as dicas dele ao seu próprio dia-a-dia. Em entrevista à revista Crescer elas contam o que pode tornar uma mãe profissional mais feliz.

“Se você amar o que faz vai  ficar mais fácil se despedir do seu filho para ir ao trabalho todos os dias”, diz Cathy. Já Barrett diz que a culpa de sair para trabalhar é imposta pelos outros e um grande obstáculo para a felicidade. Ela surge de tentativas de viver com expectativas irreais ou expectativas que os outros impõem às mães. “As mulheres mais felizes são aquelas que estabelecem o ritmo da própria carreira. Para algumas mães que trabalham, é uma possibilidade desacelerar ou até parar de trabalhar um tempo e depois voltar a cuidar do crescimento da carreira. Se você decide desacelerar, precisa aceitar o preço disso. Você tem que se perguntar honestamente se vai se sentir bem vendo seus colegas avançarem enquanto você tem mais flexibilidade e fica mais tempo com seu filho”, conclui.

Não existe uma resposta certa ou errada, toda mãe tem que fazer essa escolha. E tem que ser uma decisão pessoal, não uma decisão imposta pelos outros. Muitos empregadores também estão aprendendo o valor de reter ou recontratar mulheres que tiveram filhos. A maternidade é um treino de liderança. Como mãe, a pessoa tem de  tomar decisões, estabelecer uma direção e resolver disputas — todas as coisas que líderes têm de fazer.

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6 Opiniões

  1. VAN disse:

    Quando se trata de opção entre o trabalho ou os filhos, a carreira ou os filhos. E quando não há opção? E quando,ou se ganha o sustento ou os filhos passam nescessidade até mesmo do alimento.
    E o pior que com tantas bolsas,a realidade brasileira continua com uma porcentagem muito grande ainda,de mulheres brasileiras que não tem outra opção a não ser trabalhar para o sustento da familia.Porque a Educação lamentável que temos em nosso país,não agrega conhecimento e muito menos um planejamento familiar.Assim, todas pudessem ter o direito ou a felicidade de poder fazer uma escolha.

  2. ceiça alles disse:

    “Se você amar o que faz vai ficar mais fácil se despedir do seu filho para ir ao trabalho todos os dias”. “As mulheres mais felizes são aquelas que estabelecem o ritmo da própria carreira”.
    E quais serão os filhos mais felizes? E mais saudáveis? Bebês não pedem para nascer, o que é uma escolha dos pais. Quem sabe quem ESCOLHE ter filhos deva se dedicar a eles por, digamos, pelo menos uns 5 anos? Isso sem falar no quanto as faltas durante a gravidez, as licenças maternidade e eventuais doenças dos filhos atrapalham o ritmo dos colegas de trabalho… Ou seja: cada uma que pense por si e esqueça as prioridades alheias. Cada uma que pense o que é mais gratificante e faça uma verdadeira escolha. Não se serve bem a dois senhores. Se trabalhar for uma obrigação bem, talvez filho não seja uma boa opção… Filho é a pessoa que mais tem que ser respeitada no mundo e só deveria tê-los quem realmente tivesse vocação e disponibilidade para isso. Não são algo feito para o prazer e entretenimento dos pais, são vidas que têm que ser respeitadas com a máxima responsabilidade.

  3. Nina disse:

    Gostei da frase no artigo de que é difícil dizer o que é ou não correto nessa escolha. Optei por parar o trabalho nos primeiros anos do meus filhos. Fui cumprimentada pela coragem nos EUA e fui desprezada pelos colegas no Brasil.

  4. Monique disse:

    Meu grande dilema é deixar meu filho com uma pessoa mais ignorante do que eu para trabalhar…O que vale mais a pena? Me realizar profissionalmente enquanto meu filho é educado por outra pessoa, com outros hábitos, etc. Ou me dedicar à ele enquanto (como vc disse no texto), meus colegas avançam na carreira. ó dúvida cruel!

  5. allam disse:

    mae e mae naõ esixte outrapessoa que pode fazer como uma mae vc pode ter cudo uma carera profisinal mais e seu filhos pode ter lembrasas de uma pessoa que elel nem conhece que tomo conta da parte mais importamte da vida dela uma mulher que elel numca viu o sua propria mae mae e mae

  6. Helio Filho disse:

    Eu que fui criado por minha mãe e apenas por ela, Logo imagino outras que como ela não pudem optar e caem no trabalho, às vezes chorando, com os filhos doentes…
    Mas mesmo nesse ambiente duro,eu vi minha mãe dizer as minhas duas irmãs: “não dependam de homens” “trabalhe!”. E minhas irmãs escolheram trabalhar.
    Falando como homem, influenciado pela fala de minha mãe, acho muito bom as mulheres trabalharem, no entanto, como pessoa devo respeitar aquelas que optam por estar perto dos filhos, não digo educar, pois as que trabalham educam, a minha provou isso.
    Saudações as moças!

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