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Dívidas corporativas podem iniciar a próxima crise financeira?

Segundo a agência de classificação de risco de crédito S&P Global, 37% das empresas globais estão altamente endividadas

Dívidas corporativas podem iniciar a próxima crise financeira?
Muitas empresas ao redor do mundo não estão com uma situação tão sólida (Foto: mercopress)

A crescente elevação das taxas de juros pode gerar instabilidade nos mercados financeiros. Por esse motivo, as agências reguladoras e os investidores tentam descobrir o que poderia desencadear uma futura crise. O mercado de títulos de dívida corporativa é um fator de risco?

As crises financeiras em geral englobam um ou mais de um destes três fatores: excesso de empréstimos, apostas concentradas em um determinado mercado e um desequilíbrio entre ativos e passivos. A crise financeira mundial de 2008 teve um impacto mais profundo na economia global, porque envolveu os três fatores. A crise asiática do final da década de 1990 foi o resultado do excesso de empréstimos em dólares por empresas com receitas na moeda local. No ano 2000, a bolha da internet teve consequências menos graves pelo fato que as apostas dos investidores concentraram-se em ações das empresas de informática.

As previsões para o mercado acionário americano é de alta para o índice S&P 500. Os lucros das empresas crescem a um ritmo acelerado. As empresas do índice deverão apresentar um lucro anual de 25% após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre.

Mas muitas não estão com uma situação tão sólida. Nas últimas décadas, as empresas têm procurado tornar seus balanços patrimoniais mais “eficientes”, com o aumento da dívida e o benefício da dedução de impostos dos pagamentos de juros. Algumas empresas com mais liquidez estão recomprando ações, seja por pressão de investidores, ou pela expectativa de aumento do preço das ações.

Ao mesmo tempo, o período prolongado de taxas de juros baixas estimulou a obtenção de empréstimos. Segundo a agência de classificação de risco de crédito S&P Global, 37% das empresas globais estão altamente endividadas, um aumento de 5% do percentual de 2007, pouco antes do início da crise financeira. As empresas de private equity também acumularam mais dívidas desde o fim da crise financeira.

Um sinal da perda da qualidade de crédito do mercado é a queda em termos globais do rating dos títulos corporativos de A para BBB a partir de 1980. O mercado divide-se em grau de investimento e grau especulativo. A classificação BBB significa uma qualidade de crédito média e a BB de títulos de alto risco, ou seja, os títulos corporativos situam-se nessa linha divisória média.

Os investidores não estão exigindo maiores rendimentos para compensar a perda da qualidade da dívida corporativa, ao contrário. Em uma palestra recente na London Business School, Alex Brazier, diretor de estabilidade financeira do Bank of England, comparou o rendimento dos títulos corporativos com a taxa de retorno livre de risco. No Reino Unido, os investidores estão exigindo que nenhum retorno excedente dos títulos corporativos reflita o risco de crédito do emissor. Nos Estados Unidos, a diferença entre o preço da compra e venda de títulos é a menor em 20 anos. Assim como as taxas baixas de juros incentivaram os empréstimos, os investidores estão comprando títulos por causa dos baixos retornos em dinheiro, sem se preocuparem com o não pagamento das dívidas.

Matt King, estrategista do Citigroup, disse que as vendas de títulos da dívida corporativa de empresas americanas por investidores externos diminuíram nos últimos meses e que o retorno do grau de investimento este ano foi de -3,5%. Sinais preocupantes de um possível aumento da inadimplência, das negociações com credores e de pedidos de recuperação judicial.

Fontes:
The Economist-Where will the next crisis occur?

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