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Divulgação de balanço não resolve os problemas da Petrobras

O futuro da empresa não se limita apenas a sua gestão

Divulgação de balanço não resolve os problemas da Petrobras
Colocar a Petrobras nos eixos novamente é um trabalho longo (Divulgação/ABr)

A Petrobras publicou seu balanço auditado nesta quarta-feira, 23, com cinco meses de atraso, depois de auditores varrerem seus livros atrás de detalhes sobre anos de fraudes e propinas. A direção da estatal disse que os desvios custaram R$ 6,2 bilhões. Uma redução maior que a esperada no valor de ativos, de R$ 44,6 bilhões, também foi identificada. O prejuízo líquido foi de R$ 21,6 bilhões em 2014, contra um lucro de R$ 23,6 bilhões um ano antes.

Leia também: Petrobras registra prejuízo de R$ 6,2 bilhões com corrupção

Colocar a Petrobras nos eixos novamente é um trabalho longo.  A curto prazo, a empresa está focada na sua sobrevivência diante do afundamento da sua produção, baixos preços do petróleo, dinheiro escasso e uma grande despesa iminente para desenvolver seus ativos do pré-sal.

Divulgar o balanço auditado foi vital. Credores poderiam ter exigido o reembolso antecipado de US$ 54 bilhões em dívidas se a empresa perdesse o prazo de 30 de abril. O grave endividamento da administração anterior transformou a Petrobras na empresa mais endividada do mundo e, quando o escândalo estourou, uma pária dos mercados de capitais.

A transparência sobre o passado, no entanto, não vai impedir que os acionistas norte-americanos, irados com a má gestão, processem a estatal. Mas, por ora, os investidores parecem dispostos a dar uma chance à nova gestão de Aldemir Bendine, o ex-chefe do Banco do Brasil. As ações da Petrobras se estabilizaram nos últimos meses, embora elas ainda estão bem abaixo de seu pico.

Bendine diz que vai poupar dinheiro cancelando dividendos deste ano, cortando as despesas de capital e vendendo 14 bilhões de dólares em ativos até o final do próximo ano, embora encontrar compradores para eles é uma outra história.

O futuro da empresa não se limita apenas a sua gestão. Os políticos devem não só parar de roubar: eles devem abster-se de interferir também.  O Partido dos Trabalhadores da presidente Dilma Rousseff obrigou a Petrobras a subsidiar a gasolina importada durante anos para manter os preços baixos na bomba. Isso fez com que a empresa sangrasse dinheiro. O governo tem de deixar a empresa aumentar os preços, mas a Petrobras ainda sofre pressão política. O governo insiste que a Petrobras deve assumir a liderança no desenvolvimento de campos offshore — uma tarefa para a qual ela pode ter o conhecimento técnico, mas não os recursos.

Alguns destes problemas irão pousar na mesa de Shell. A gigante anglo-holandesa acaba de comprar a BG, uma empresa britânica de energia, que é um grande parceiro da Petrobras. Bendine diz que pode buscar fortalecer os laços. A Shell tem dinheiro e know-how, mas deve pisar com cuidado em um país onde há sempre muita culpa a ser atribuída a terceiros.

Fontes:
The Economist - Deep under water

1 Opinião

  1. dragaoforte disse:

    Desculpe a minha ignorância…mas prá mim balanço incluindo “CORRUPÇÃO”….é confirmar INCOMPETÊNCIA do estado…do governo…é passar um atestado de EMBRIAGUEZ CULTURAL ….e nós vamos fazer o quê……???????

    Cadê nossas forças armadas…
    Onde está nossa soberania….
    Como fica a nossa autonomia energética

    Uma nação só se desenvolve com duas condições básicas/mínimas – DISPONIBILIDADE ENERGÉTICA E FINANCIAMENTO DE INFRAESTRUTURA….

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