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Economia da Coreia do Norte tem maior queda em 20 anos

Afetada por sanções, a economia da Coreia do Norte registrou uma queda de 3,5% em 2017, a maior contração desde 1997

Economia da Coreia do Norte tem maior queda em 20 anos
Mau relacionamento com a China e com a Coreia do Sul impactaram a economia (Foto: Xinhua/KCNA)

A economia da Coreia do Norte teve o seu pior desempenho em 20 anos. Segundo o Banco Central da Coreia do Sul – que faz a estimativa -, a economia norte-coreana recuou 3,5% em 2017. Apenas em 1997 foi registrado uma queda maior, com uma retração de 6,5%.

As informações foram divulgadas pelo Banco Central sul-coreano nesta sexta-feira, 20, já que a Coreia do Norte não expõe dados econômicos. De acordo com funcionários do Banco Central ouvidos pela agência de notícias Yonhap, o mau desempenho da economia pode ser relacionado com as sanções aplicadas contra a Coreia do Norte no último ano.

“O crescimento negativo é atribuível a uma queda na produção de minério e a um recuo nas indústrias pesadas e químicas, já que as Nações Unidas impuseram sanções mais duras às atividades nucleares e de mísseis”, explicou um funcionário.

As sanções contra a Coreia do Norte foram impostas em decorrência do seu programa nuclear. Seu posicionamento, em 2017, aumentou a tensão na Península Coreana – a Coreia do Sul já havia fechado a sua zona industrial de Kaesong, que ficava em território norte-coreano, em 2016. Com isso, o comercio entre os países caiu 99,7%, registrando apenas US$ 900 mil em 2017.

As medidas adotadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) afastaram o seu principal parceiro comercial, a China, dos negócios, o que prejudicou ainda mais a economia do país em 2017. A queda da economia também prejudica humanitariamente os norte-coreanos, que passam por um período complicado – a ONU notou recentemente que uma a cada cinco crianças do país está desnutrida.

Com tudo isso, as exportações da Coreia do Norte despencaram 37,2% em relação a 2016. As sanções internacionais tinham como objetivo enfraquecer a moeda norte-coreana, atacando as exportações de carvão e de outros recursos naturais. Dessa forma, quedas foram registradas em diferentes setores da indústria.

“O volume de comércio externo caiu significativamente com a proibição das exportações de carvão, aço, pescas e produtos têxteis. É difícil colocar números exatos, mas [a proibição de exportação] derrubou a produção industrial”, explicou o chefe da Equipe de Coordenação das Contas Nacionais do Banco Central da Coreia do Sul, Shin Seung-cheol, segundo noticiou o Guardian.

A mineração, por exemplo, caiu 11%, enquanto tinha crescido 8,4% em 2016. A manufatura, que também tinha registrado crescimento no ano anterior, caiu 6,9% em 2017. Os dois setores combinados representam aproximadamente um terço da economia norte-coreana.

Já a agricultura e a pesca, que representam cerca de um quinto da economia do país, caíram 1,3%. Uma queda pequena, se comparado com o declínio do setor de construção (4,4%) e o de eletricidade e gás (2,9%).

Segundo o Banco Central da Coreia do Sul, a renda nacional bruta per capita na Coreia do Norte é de 1,46 milhão de won (US$ 1.283,52), cerca de 4,4% da renda média dos sul-coreanos.

Inspiração na China

A situação da Coreia do Norte pode piorar ainda mais este ano. Apesar de ter mudado de postura desde o início de 2018, se reaproximando da Coreia do Sul e da China, além de criar laços com os Estados Unidos, as sanções continuam em vigor. Segundo um funcionário do Banco Central, as medidas já prejudicaram a economia no primeiro semestre, o que dificulta a recuperação para a sequência do ano.

“A ONU impôs novas sanções contra o Norte em agosto e dezembro [de 2017], e isso afetará seriamente a economia norte-coreana neste ano”, explicou o funcionário, afirmando que as negociações entre Coreia do Norte e China já caíram significativamente nos primeiros seis meses de 2018.

Por outro lado, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, já prometeu mudar o foco do desenvolvimento nuclear, desejando se inspirar na “construção econômica socialista” da China.

Mudança de postura

Desde o início de 2018, a Coreia do Norte mudou a sua postura perante o mundo. Após uma reaproximação com a Coreia do Sul e a China, Kim Jong-un se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em junho passado. Essa nova abordagem pode levar a um alívio para a economia norte-coreana, já que o país passa a ser visto de outra forma.

 

Leia também: Afinal, no que consistem as sanções internacionais?
Leia também: Mesmo com compromisso entre Trump e Kim, ameaça nuclear permanece

Fontes:
Yonhap-N. Korea's economy shrinks 3.5 pct in 2017: BOK
The Guardian-North Korean economy sees sharpest decline in 20 years as sanctions bite

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1 Opinião

  1. Buckminster disse:

    Um bom lugar para enviar a esquerda

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