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Economia do Líbano vê esperança na maconha

O governo do Líbano estuda a proposta de legalização do cultivo e comercialização da maconha, como uma forma de recuperar a economia do país

Economia do Líbano vê esperança na maconha
A partir de 2012, a produção de maconha no Líbano aumentou 50% (Foto: Max Pixel)

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A cidade de Brital, no vale Bekaa, no Líbano, é um contraste chocante entre a pobreza e a ostentação de riqueza. Vans velhas circulam pelas ruas esburacadas ao lado de Bentleys e Range Rovers sem placas e com janelas escuras. A taxa de desemprego é altíssima, mas as grandes casas luxuosas com muros altos espalham-se pelo lugar.

A cidade é um centro de cultivo de maconha dominado por clãs poderosos, que fortemente armados desafiam a polícia e o exército quando seu território é ameaçado. Ao longo dos anos, Brital ganhou a fama de ser um lugar de acesso proibido. Mas a situação do vale Bekaa pode mudar em breve com a legalização da produção de maconha.

O governo do Líbano está estudando a proposta de legalização do cultivo da maconha para exportá-la com fins medicinais. A proposta faz parte de um programa quinquenal de reformas econômicas sugerido pela empresa de consultoria McKinsey & Company.

A decisão de contratar uma empresa estrangeira como consultora foi resultado de previsões cada vez mais sombrias sobre a situação econômica do país.  O Líbano é o terceiro país mais endividado do mundo, com uma dívida pública equivalente a 153% do PIB. A guerra civil na Síria agravou ainda mais a crise e desde o início do conflito o crescimento econômico diminuiu de 9% para 2%.

Em um relatório de mil páginas entregue este mês ao presidente libanês, Michel Aoun, a equipe de consultores da McKinsey sugeriu medidas como o incentivo ao turismo, a criação de um centro bancário e o investimento na produção de abacates, como formas de promover a recuperação econômica.

Porém, a sugestão de legalizar o cultivo da maconha atraiu mais a atenção. O apoio do ministro da Economia e Comércio, Raed Khoury, à proposta reforçou a ideia dos consultores.

“A maconha cultivada no Líbano é uma das melhores do mundo”, disse Khoury à agência de notícias Bloomberg, acrescentando que seu cultivo e comercialização pode gerar uma receita de US$ 1 bilhão para o país.

A oposição dos clãs do vale Bekaa poderia criar um sério impasse ao projeto do governo. Mas segundo Qassem Tlaiss, um morador de Brital e porta-voz dos chefes das famílias locais, eles apoiam a ideia porque sabem que é importante para recuperar a economia libanesa.

A maconha é cultivada no vale Bekaa desde a época do Império Otomano. A produção atingiu seu auge durante a guerra civil de 1975 a 1990, quando cerca de 2 mil toneladas por ano eram exportadas pelos portos ilegais do país.

A partir de 2012, como consequência da guerra civil na Síria, a produção de maconha aumentou 50%. A receita de exportação para os países do Golfo Pérsico, Europa, África e América do Norte gira em torno de US$ 175 a US$ 200 milhões. O Líbano é o terceiro maior exportador de resina de cannabis no mundo, de acordo com o Office on Drugs and Crime das Nações Unidas.

Não está ainda definido se a McKinsey irá recomendar que o governo trabalhe em conjunto com agricultores do vale Bekaa, ou que crie uma estrutura nova. As propostas anteriores feitas a Tlaiss por autoridades libanesas sugeriram a concessão de licenças a produtores da região, o que criaria menos conflitos e ajudaria a recuperar a economia local.

 

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Fontes:
The Guardian-Budding business: how cannabis could transform Lebanon

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