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A importância da placenta

Dispensado logo após o parto, órgão vem sendo objeto de estudo por conta de seu impacto na saúde e no desenvolvimento

A importância da placenta
Médicos estão usando diversos tipos de exames para medir a densidade do tecido da placenta (Foto: Pixabay)

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A placenta, um órgão descartado logo após o parto, tem atraído o interesse da comunidade científica devido a sua importância na formação dos bebês e de seu papel em uma gravidez saudável.

Nas últimas três semanas, cientistas publicaram três estudos relevantes sobre a placenta, um órgão vascular que une o feto à parede do útero, permitindo a passagem de nutrientes e oxigênio para o sangue fetal e a eliminação de dióxido de carbono e resíduos nitrogenados. Um deles descreveu a técnica de criação de  miniplacentas em laboratório, com o objetivo de estudar as fases iniciais da gravidez.

Além disso, em uma reunião recente do Human Placenta Project em Bethesda, Maryland, diversos pesquisadores mostraram novas técnicas sofisticadas de estudo da placenta em tempo real. Essas técnicas permitirão o diagnóstico de complicações na gravidez, como pré-eclampsia, parto prematuro e problemas no desenvolvimento do feto, cedo o suficiente para que os médicos possam intervir.

Elas também poderão ajudar a descobrir por que os meninos são mais propensos ​​do que as meninas a nascerem com transtornos neuropsiquiátricos, como esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, autismo, dislexia e síndrome de Tourette.

No final do primeiro trimestre da gravidez, a placenta atinge seu desenvolvimento pleno e chega a pesar 500 gramas. À medida que a placenta cresce, suas células funcionam como órgãos do coração, pulmões, fígado e rins até que o feto possa sobreviver sozinho.

No entanto, em 20% dos casos esse processo não flui como deveria e acarreta problemas graves na saúde do feto e da mãe. Sintomas de pré-eclampsia podem ser o prenúncio de doenças cardiovasculares e a diabetes gestacional pode evoluir para diabetes.

Nem todas as placentas se desenvolvem da mesma forma. Segundo Tracy Bale, diretora do Center for Epigenetic Research in Child Health and Brain Development da Universidade de Maryland, a placenta de um feto do sexo masculino é mais vulnerável ao estresse externo. Essa vulnerabilidade é responsável por taxas mais altas de abortos espontâneos, natimortos, partos prematuros e problemas neurológicos em bebês do sexo masculino.

Em maio, a equipe de Daniel Weinberger do Lieber Institute examinou os genes implicados no desenvolvimento da esquizofrenia e chegou à conclusão que o estresse aumenta os níveis desses genes na placenta.

“As placentas de fetos do sexo masculino são mais suscetíveis a essa alteração do nível dos genes. Essa suscetibilidade pode ser a origem de transtornos neuropsiquiátricos, como autismo e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade”, disse Weinberger.

Em 2014, o departamento de pediatria do National Institutes of Health decidiu pesquisar métodos não invasivos para detectar problemas no início da gravidez. Um projeto de pesquisa com um custo de US$ 80 milhões permitiu que Alfred Z. Abuhamad, professor titular e diretor do departamento de obstetrícia e ginecologia da Eastern Virginia Medical School em Norfolk, adaptasse tecnologias usadas em outros campos da medicina no exame de placentas.

Além da ultrassonografia e da ressonância magnética nuclear, os médicos estão usando a elastografia, um exame semelhante ao da ultrassonografia, para medir a densidade do tecido da placenta.

A equipe do Dr. Abuhamad está usando essas técnicas para acompanhar a evolução da placenta em 500 mulheres grávidas, entre as quais 300 com gravidez de alto risco.

Outros pesquisadores dedicam-se ao estudo das partículas liberadas pela placenta na corrente sanguínea. A identificação dessas partículas permitirá que um simples exame de sangue detecte problemas. E um grupo de pesquisadores está adaptando o oxímetro de pulso, um dispositivo que mede a quantidade de oxigênio no sangue, em exames de placenta.

“Todas essas iniciativas estão ainda em fase de testes, mas em um futuro próximo terão um grande impacto no campo da obstetrícia”, disse a Dra. Diana W. Bianchi, diretora do National Institute of Child Health and Human Development.

Fontes:
The New York Times-The Placenta, an Afterthought No Longer

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