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SAÚDE

Austrália quer eliminar câncer cervical em até 20 anos

Programa de vacinação, somado a triagens em mulheres adultas, colocam o país a caminho de se tornar o primeiro livre da doença

Austrália quer eliminar câncer cervical em até 20 anos
O câncer cervical é o quarto tipo de câncer mais comum em mulheres (Foto: Flickr)

Com o programa de governo que vacina as crianças contra o papilomavírus, causador do câncer, o estudo realizado em Melbourne, na Austrália, relatou que até 2028, de 100 mil mulheres, apenas quatro seriam diagnosticadas com câncer no colo de útero. O estudo aponta, também, que até 2066, menos de uma mulher por ano, receberia esse diagnóstico.

“A Austrália está a caminho de se tornar o primeiro país a eliminar o câncer do colo do útero. Eu acho que isso mostra o caminho que outros países podem seguir”, disse Karen Canfell, epidemiologista e diretora de Pesquisa do Câncer do Conselho de Câncer NSW, organização que lidera o estudo.

O sistema nacional de saúde da Austrália introduziu, pela primeira vez, o programa de vacinação em 2007, aplicando três doses de vacina, sem custo, para meninas adolescentes. Em 2013, o programa foi expandido para meninos, já que podem transportar e transmitir o vírus, além de desenvolver outros tipos de câncer. Segundo o Cancer Council da Austrália, a vacinação levou a uma redução de 77% nos tipos de HPV. A Austrália, agora, tem uma das menores taxas de incidência e mortalidade por câncer do colo do útero no mundo.

Pesquisadores atribuíram o rápido declínio do HPV à combinação de ação governamental eficiente – que seria o programa de vacinação nas escolas de todo o país -, e programas de triagem para mulheres mais velhas, além também, do apoio público. Karen Canfell relatou que, embora a vacinação seja de crucial importância, a triagem cervical também foi importante na redução das taxas de HPV em adultos que já poderiam ter sido expostos ao vírus causador de câncer. “Se focarmos apenas na vacinação, não poderemos abordar esse problema para centenas de  mulheres”, disse Canfell

Outros países avançaram mais devagar devido a um movimento global contra vacinação que alegou falsamente, que as vacinas estão ligadas ao autismo.

Embora a maioria dos países desenvolvidos tenha implementado o programa de vacinação, o caminho tem sido incerto, segundo Ian Frazer, cocriador da vacina Gardasil, e professor de imunologia da Universidade de Queensland. Ele atribuiu esse problema à desinformação generalizada sobre os riscos das vacinas.

No Japão, essas campanhas ajudaram a reduzir a taxa de vacinação contra o HPV de 70% para próximo de zero. E nos Estados Unidos – onde uma pesquisa de 2017 mostrou que quase metade das pessoas com idade entre 18 e 59 anos estão infectadas com o HPV genital – a taxa de adolescentes vacinados é de apenas 49 % . “É preciso muita educação para chegar lá, isso não acontece da noite para o dia”, disse Frazer.

Ele acrescentou que vacinar pelo menos metade da população seria o suficiente para deter a propagação do HPV, e também para ver quedas significativas nas taxas de câncer.

Globalmente, o câncer do colo do útero ainda é o quarto tipo de câncer mais comum em mulheres. A doença é predominante em países de baixa e média renda, que ainda não adotaram seus próprios programas de vacinação contra o HPV.

Mesmo na Austrália, pesquisadores disseram que a triagem contínua e a vacinação, seriam cruciais para manter baixas as taxas de incidência e mortalidade por câncer. “Estamos entusiasmados com esta notícia, no entanto, não queremos que as mulheres fiquem complacentes”, disse Leisa Ashton, porta-voz da Australian Cervical Cancer Foundation.

Fontes:
The New York Times-In Australia, Cervical Cancer Could Soon Be Eliminated

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