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A batalha da publicidade online contra a privacidade

A luta das empresas de publicidade digital contra as regras de proteção da privacidade pessoal online segue obstinada

A batalha da publicidade online contra a privacidade
Para os profissionais da área de marketing, os anúncios digitais têm um grande apelo, porque os dados online dos consumidores podem ser usados para direcionar a publicidade aos clientes certos (Foto: Pixabay)

A publicidade online está crescendo. A receita dos anúncios digitais nos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano atingiu o recorde de US$32,7 bilhões, segundo os últimos números do Interactive Advertising Bureau. Para os profissionais da área de marketing, os anúncios digitais têm um grande apelo, porque os dados online dos consumidores podem ser usados para direcionar a publicidade aos clientes certos. Mas o rastreamento de dados tem sido um tema cada vez mais controverso nos Estados Unidos e na Europa.

Em 27 de outubro, a Federal Communications Commission (FCC) dos EUA anunciou uma nova regra para proteger a privacidade pessoal online. Os provedores de serviços de internet, como AT&T e Comcast, agora precisam perguntar aos consumidores se querem coletar e compartilhar dados de caráter extremamente pessoal, como informações financeiras e histórico de navegação na web.

No entanto, a importância da regra da FCC refere-se não só à solução de um debate, como também a intenção de instigá-lo. Os profissionais de marketing e as empresas de publicidade digital insistem que já têm uma conduta ética quanto à privacidade dos consumidores. Na opinião deles os dados referentes à navegação e aos aplicativos são essenciais para direcionar os anúncios. De acordo com a regra da FCC, os consumidores têm a “opção” de compartilhar essas informações, mas as empresas temem que muitos dirão não.

Existe um limite à norma da FCC, que a torna ainda mais controversa. A regra restringirá a coleta de dados dos provedores de internet, porém tem pouco impacto em um rastreamento online mais amplo. Em especial, não afeta provedores como Google e Facebook, que operam segundo a estrutura de privacidade da Federal Trade Commission (FTC).

Para as empresas de publicidade, o resultado é um setor cada vez mais desigual. Quaisquer novas restrições impostas às empresas, como a Verizon, que pretende expandir sua atividade de anúncios digitais, dará mais poder aos já poderosos Google e Facebook, disse Brian Wieser do Pivotal Research Group. Quanto aos consumidores, o resultado é uma grande confusão: os limites para a coleta de dados dependem da identidade do responsável pela reunião de informações.

“Essas regras não impedirão que os provedores rastreiem os dados dos consumidores e os transformem em dinheiro, tanto nos sites que os usuários visitam, nos vídeos do YouTube que assistem ou no envio de e-mails”, afirmou Ajit Pai, um funcionário da FCC que votou contra a regra. A questão agora é como as agências reguladoras irão abordar essa confusão e se pretendem aplicar limites mais rígidos ao Google e ao Facebook.

Enquanto a batalha continua nos EUA, outra frente está surgindo na Europa. Em 19 de outubro, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) determinou que os endereços de protocolo da internet, que identificam dispositivos conectados, ficarão sujeitos às leis de proteção de dados europeias. Essa medida limita ainda mais a atividade das empresas de publicidade.

Em seguida, ativistas irlandeses que defendem o direito à privacidade pessoal iniciaram um processo judicial contestando a aplicabilidade do “Privacy Shield”, o nome do novo acordo entre os EUA e a União Europeia de compartilhamento de dados pessoais nos dois lados do Atlântico. E um grupo de defensores europeus de privacidade online escreveu para o WhatsApp, o serviço de mensagens do Facebook, questionando sua nova política de compartilhamento de informações dos usuários com os pais.

Fontes:
The Economist-Digital advertisers battle over online privacy

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