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Como ajudar crianças com transtorno de ansiedade

Reconhecer comportamentos incomuns que indicam ansiedade e buscar tratamento ajuda crianças a desenvolver mecanismos de controle

Como ajudar crianças com transtorno de ansiedade
Tratamento de crianças ansiosas envolve a participação dos pais (Foto: PxHere)

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Segundo um estudo do Child Mind Institute divulgado em setembro, o transtorno de ansiedade em crianças e adolescentes, muitas vezes não é tratado com terapias e medicamentos, porque em alguns casos os sintomas não se manifestam de uma forma especial.

Nem sempre a ansiedade se reflete em um comportamento anormal. Algumas crianças são mais tímidas e outras mais agressivas.  Porém para os pais, esse comportamento é visto como uma característica da personalidade e não de uma manifestação de ansiedade.

Com frequência, os adultos acham que a ansiedade em uma criança é uma fase que será superada. É natural que crianças pequenas se sintam ansiosas diante de determinados fatos, como, por exemplo, nas ocasiões em que se separam das mães. Mas quando os transtornos de ansiedade resultam em medo, preocupação excessiva ou em uma possível ameaça, é preciso que os pais procurem ajuda de psicólogos.

De acordo com Kathleen Merikangas, pesquisadora sênior e diretora do Departamento de Pesquisa em Epidemiologia Genética do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, o transtorno de ansiedade na infância e adolescência é um dos problemas psíquicos mais ignorados pelos pais e educadores.

“Uma criança que sofre de ansiedade social sente-se angustiada diante da possibilidade de falar em público. Por isso, fica calada por medo de ser ridicularizada ou rejeitada pelos colegas de classe. Mas na visão da professora é uma criança que não tem interesse em participar da aula ou de aprender. O desempenho escolar de crianças que têm esse tipo de ansiedade pode melhorar ao inseri-las em pequenos grupos de trabalho, nos quais se sentem mais confiantes”, disse Merikangas.

Quando não são tratados, observou Harold Koplewicz, presidente do Child Mind Institute, os transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes prejudicam sua capacidade funcional. O cotidiano dessas crianças e jovens é difícil. Muitos rejeitam a escola, não querem dormir em suas camas e, por causa da ansiedade, fazem visitas constantes à enfermaria da escola ou a médicos.

Segundo Koplewicz, o transtorno de ansiedade é uma “porta aberta” para outros problemas psíquicos e fobias, como síndrome do pânico. Além disso, pode ter consequências sérias na vida adulta, como nos casos de depressão.

Kathleen Merikangas participou de uma pesquisa de âmbito nacional sobre a saúde mental de adolescentes. O estudo revelou uma grande incidência de transtornos de ansiedade entre os jovens nos Estados Unidos. A pesquisa também mostrou que as crises de ansiedade começaram em média aos 6 anos.

Porém, muitos adolescentes não receberam nenhum tipo de tratamento. Por esse motivo, disse Merikangas, é importante enfatizar que a ansiedade é “uma das síndromes mais fáceis de tratar e que é possível mudar as vidas de crianças e jovens com o mínimo de intervenção”.

“Os transtornos de ansiedade podem ser tratados com terapias cognitivo-comportamentais e psicossociais extremamente eficazes”, acrescentou Koplewicz.

“A ansiedade pode se manifestar por um longo período de tempo”, disse Rachel Busman, diretora do Centro de Transtornos de Ansiedade do Child Mind Institute. O estudo do instituto mostrou que em alguns casos as crises de ansiedade são acompanhadas de doenças físicas, como dor de cabeça crônica ou dor de estômago, que se manifestam quase sempre quando as crianças estão na escola. “Essa é a maneira infantil de a criança dizer que está ansiosa”, disse Busman.

O tratamento de crianças ansiosas envolve a participação dos pais. Para Jerry Bubrick, psicólogo do Centro de Transtornos de Ansiedade do Child Mind Institute, o envolvimento dos pais é essencial para que as crianças possam desenvolver mecanismos de controle mental quando expostas a situações estressantes. É um exercício que os pais também precisam aprender para não protegerem em excesso os filhos.

Fontes:
The New York Times-How to Help a Child With an Anxiety Disorder

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