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CASO JAKELIN

Como uma criança de sete anos morre sob custódia dos EUA

Caso de menina guatemalteca que morreu sob custódia da Patrulha de Fronteira dos EUA não é o único envolvendo maus-tratos contra migrantes no país

Como uma criança de sete anos morre sob custódia dos EUA
Celas para migrantes são construídas para punir, e isso inclui crianças como Jakelin, diz pesquisadora da HRW (Foto: Twitter)

No sul de Lordsburg, no Novo México, a menina guatemalteca Jakelin, de sete anos, e seu pai, Nery Caal, eram parte de um grupo de imigrantes que buscava asilo nos Estados Unidos. Caal decidiu atravessar a fronteira após sua cidade, uma vila indígena da Guatemala, ter se tornado um bastião de violência, crimes e assassinatos.

Ao lado de Jakelin, ele se juntou a 163 imigrantes que também buscavam por refúgio e uma vida melhor. Caal afirmou que, apesar das circunstâncias, manteve Jakelin bem alimentada e hidratada durante o percurso. O pai também relatou que a menina de sete anos não apresentava nenhum sintoma de qualquer doença.

Dias depois, o grupo foi detido pela Patrulha de Fronteira dos EUA. A menina começou a passar mal algumas horas depois que o grupo foi interceptado. Após noventa minutos requisitando ajuda, Jakelin convulsionava e queimava de febre, com 41°. Não está claro se a menina recebeu alimentos e atendimento médico ao longo da noite em que começou a passar mal.

Quando o ônibus chegou à estação de Lordsburg, onde seriam transferidos, o estado de Jakelin se agravou. A menina foi encaminhada de helicóptero para um hospital no Texas, onde já chegou com parada cardíaca. Após ser reanimada duas vezes não resistiu e veio a falecer poucas horas depois. Segundo os médicos, a criança estaria com um quadro de choque séptico, inflamação cerebral e falência hepática.

Esse é um cenário um tanto quanto comum, mediante a pouca tolerância que o atual presidente, Donald Trump, tem em relação à questão da imigração nos Estados Unidos. Trump planeja conter os migrantes construindo um muro na fronteira com o México. Para isso, ordenou uma mobilização de milhares de soldados, separando cerca de 2 mil crianças migrantes de seus pais, com a política de “tolerância zero” com a imigração ilegal.

No início do ano, a Human Rights Watch relatou em como a Patrulha de Fronteira prejudica as crianças ao detê-las de formas desumanas na prisão. As famílias que tentam uma nova vida nos Estados Unidos chamam as cadeias da fronteira de hieleras, por conta de suas baixas temperaturas. As celas normalmente não têm camas o suficiente, obrigando com que as famílias coloquem as crianças para dormirem no chão de concreto.

A pesquisadora Clara Long, da Human Rights Watch, diz ter passado por diversas situações nos cinco anos que acompanhou a situação como parte de seu trabalho de pesquisadora. Long conversou com várias famílias sobre suas experiências nos centros de detenção e diz ter concluído que os centros foram construídos para punir, e não para ajudar.

“Uma mãe em busca de asilo, detida com sua filha de um ano e meio me disse que estava muito preocupada com uma possível desidratação da filha no verão. ‘Estou tendo dificuldade em produzir leite suficiente, porque não estou recebendo comida suficiente’, ela disse. Ela tinha dúvidas em pedir ajuda por temor de que isso fosse prejudicar o pedido de asilo”, lembra Long.

“Entrevistei outra mãe da Guatemala após ter sido libertada da custódia da Patrulha de Fronteira no Arizona, em 2014. Ela e o filho foram detidos quando ela buscava ajuda médica para a criança, que é cidadão norte-americano. Seu filho tem uma deficiência que torna impossível para ele andar, falar ou mastigar e requer que ele coma alimentos liquefeitos. Durante seus três dias na detenção, a Patrulha da Fronteira não forneceu alimentos que seu filho pudesse comer. ‘Ele desmaiou duas vezes. Eu estava muito preocupada. Eu disse que precisava de ajuda e a Patrulha da Fronteira disse que eu não poderia conseguir ajuda’”.

Long afirma que tais casos apontam para o problema nas cadeias da Patrulha de Fronteira. “Elas são construídos para punir – não para ajudar – e isso inclui crianças como a de 7 anos [Jakelin] que morreu na semana passada. As autoridades devem investigar com urgência o seu caso, mas de forma mais ampla, primeiro, o governo dos EUA deveria estar se perguntando por que as crianças estão nessas celas”, diz a pesquisadora.

Fontes:
HRW-7-Year-Old Migrant Girl Dies in US Border Patrol Custody

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