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CASO HUAWEI

Estados Unidos retomam pressão para banir uso da Huawei

O governo norte-americano continua a pressionar países a romperem ligação com a empresa chinesa, acusando-a de espionagem e vazamento de dados 

Estados Unidos retomam pressão para banir uso da Huawei
O diretor da Huawei afirmou que a pressão política é um absurdo (Foto: Wikimedia)

Os Estados Unidos continuam aumentando a pressão para que diversos países rompam a ligação com a empresa de tecnologia chinesa Huawei. Com a relação estremecida desde dezembro do ano passado, após o Canadá decretar a prisão da diretora financeira da empresa, a pedido dos EUA, os americanos estão pressionando a Alemanha para banir a equipe da infraestrutura de telecomunicação do país.

O embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, Richard Grenell, enviou uma carta ao governo alemão na última semana, na qual ameaçou restringir o acesso à inteligência norte-americana caso Berlim optasse por emitir os contratos com a Huawei.

“O ministro federal para Assuntos Econômicos e Energia de fato recebeu uma carta; não há comentários sobre seu conteúdo do lado deles. Haverá uma resposta rápida”, disse Matthias Wehler, porta-voz da embaixada alemã em Washington.

A carta emitida de forma extraoficial relata diferentes avisos a funcionários americanos de todos os cargos, inclusive ao vice-presidente, Mike Pence, que teria denunciado as teóricas conexões da Huawei com a inteligência chinesa, alegando comprometer a segurança nacional com a venda de equipamentos. A carta revela os temores do presidente Donald Trump quanto às relações entre a marca chinesa e o governo da China.

O acordo não teria como finalidade cortar completamente a Alemanha do compartilhamento de informações. Porém, caso o país prossiga em incluir a Huawei na instalação do 5G, menos informações seriam enviadas às autoridades do país, algo que poderia culminar os esforços de proteção nacional. Analistas e executivos afirmam que a Huawei já é a líder  na tecnologia 5G, sendo praticamente insubstituível para diferentes operadoras de celular.

Mesmo que empresas de telefonia móvel rejeitem a Huawei por questões de segurança, a tecnologia é amplamente utilizada em outras operadoras subsidiadas pelo governo federal, que efetuam a compra do hardware mais barato para instalar em torres de celulares. Em certos casos, a tecnologia acaba se tornando a única fonte de cobertura em áreas próximas às bases militares.

Em um comunicado emitido pela Alemanha, no último dia sete de março, foi explicado que o país não irá impedir que empresas participem de licitações para construir as redes de 5G do país, seguindo a decisão similar do Reino Unido, onde foi dificultado o boicote dos Estados Unidos contra a empresa chinesa.

O Departamento de Estado da Alemanha não respondeu à carta de Grenell, porém, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional do país descreveu as redes de 5G da Huawei como uma ameaça e em constante evolução.”Como as redes 5G são amplamente definidas por software, as atualizações enviadas à rede pelo fabricante podem mudar radicalmente a maneira como operam”, disse Garrett Marquis.

Pressão mundial

Desde que a campanha de pressão dos Estados Unidos se iniciou, diferentes países estão sendo coagidos a proibir a tecnologia da Huawei, como por exemplo o Reino Unido, União Europeia e outros países. A preocupação pela segurança fez com que a Austrália proibisse completamente a tecnologia da empresa e a Nova Zelândia optou por restringir parcialmente os serviços. Em janeiro deste ano, a Polônia prendeu o diretor de vendas da Huawei, acusado de espionagem.

Em fevereiro, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, tornou público para os países europeus os custos da adoção da tecnologia da Huawei. O principal diplomata americano na Hungria afirmou que se os aliados optarem pela utilização de equipamentos da Huawei, seria mais difícil em fazer uma parceria com os países.

Devido a empresa ser estatal e ter “conexões profundas” com serviços de inteligência da China, Pompeo afirmou que existe um risco real “de que os chineses usem isso para fins que não são comerciais, que não são para ganho privado, mas sim para benefício do Estado”.

No início do ano, a chanceler Angela Merkel se reuniu com o governo alemão para discutir a segurança do país, caso a tecnologia fosse utilizada. Segundo Merkel, os governantes estudavam como garantir que suas empresas não tenham todas as suas informações expostas ao governo chinês.

A empresa asiática criticou a pressão dos Estados Unidos sobre a Alemanha, alegando que a administração de Donald Trump passou dos limites. Ren Zhengfei, fundador da Huawei, afirmou que as tentativas em conter o avanço da empresa “não irão conseguir nos esmagar”.

Além disso, o fundador afirmou que “o mundo precisa da Huawei porque somos os mais avançados”. O diretor da Huawei para a Europa, Vincent Pang, afirmou que a pressão política é um absurdo, visto que o governo dos Estados Unidos não tem a qualidade do 5G em mente.

Na última quarta-feira, 6, a empresa processou oficialmente os Estados Unidos, que continuam a acusar a Huawei por espionagem sem apresentar provas concretas sobre o caso, alegando que 170 países utilizam seus produtos e nunca houve vazamento de dados.

Fontes:
CNN-US warns Germany that using Huawei tech will come at a cost
Canal Tech-EUA pressionam Alemanha para banir uso de equipamentos da Huawei

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