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PROTEÇÃO ÀS CRIANÇAS

EUA realizarão exames em crianças migrantes

A Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras irá realizar exames em todas as crianças sob custódia dos Estados Unidos

EUA realizarão exames em crianças migrantes
Decisão foi tomada após a morte de duas crianças migrantes, que estavam sob custódia do país (Foto: Twitter/AurelioTimBeta)

A Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA, informou que irá realizar exames em todas as crianças migrantes que estão sob custódia dos Estados Unidos. A decisão foi tomada após a morte de Felipe Alonzo Gomez, um menino guatemalteco de apenas oito anos de idade, que morreu na última terça-feira, 25 – menos de um mês após uma outra crianças migrante, Jakelin Caal, morrer também sob custódia dos EUA.

O cônsul da Guatemala em Phoenix, Oscar Padilha, falou por telefone com o pai do menino Felipe, Agustin Gomez, de 47 anos. Na ligação, Gomez afirmou que o filho estava em perfeito estado de saúde quando viajavam da Guatemala com destino ao estado do Tennessee.

Porém, a Agência de Alfândega e Proteção da Fronteira disse que o menino mostrava sinais de “estar doente” já no dia 24, quando foi encaminhado a um hospital em Alamogordo, cidade do Novo México, junto com o pai. O menino foi diagnosticado com febre e resfriado, sendo medicado apenas com antibióticos e analgésicos, após ficar 90 minutos em observação médica.

Horas depois, o menino retornou ao hospital com náuseas e vômitos, vindo a morrer pouco tempo depois. A agência afirmou que a causa da morte ainda não foi determinada, mas que iria garantir uma “revisão independente e completa das circunstâncias”.

Um funcionário da CBP, Kevin K. McAleenan, anunciou que todas as crianças passarão por procedimentos médicos e que a agência “revisará suas políticas, com especial atenção para o cuidado e custódia de crianças menores de 10 anos”. O CBP considera buscar apoio médico de outras agências e está coordenando esforços com os Centros para controle de Doenças.

Em nota, a Secretária de Segurança Interna dos EUA, Kirstjen M. Nielsen, culpou pais e traficantes por levar crianças ilegalmente, causando, assim, suas mortes. “Traficantes, coiotes e os próprios pais das crianças colocam esses menores em risco ao embarcar nessa jornada perigosa e árdua. De novo, imploro para que os pais não ponham seus filhos em perigo”, afirmou a secretária, que relatou que os menores já chegam doentes na fronteira.

“A crise está sendo exacerbada por pessoas que entram no país já sofrendo de doenças respiratórias graves ou outros problemas quando são detidas”, disse Nielsen.

A Secretária de Segurança Interna também declarou que nenhuma criança morreu sob custódia dos Estados Unidos nos últimos dez anos. Ela também aproveitou para pressionar por um maior endurecimento nas leis de imigração, uma medida que é fortemente criticada pelos democratas.

“Para aqueles no Congresso que se recusam a agir para evitar que massas humanas viajem para o norte e arrisquem a vida de seus filhos, eu peço mais uma vez que façam seu trabalhos, protejam  populações vulneráveis e nossa fronteira, deem aos funcionários do departamento o recurso e os poderes de que precisam para lidar com esta crise”, disse Nielsen.

Em 8 de dezembro, a menina guatemalteca Jakelin Caal, de sete anos, também morreu sob custódia do governo americano. Jakelin morreu de desidratação e choque séptico.

O caso da menina gerou uma vasta indignação nos Estados Unidos e uma delegação do Congresso visitou o local onde a menina e seu pai estavam detidos, relatando que existem inúmeras “falhas sistêmicas” no processo e péssimas condições de higiene.

O Departamento de Segurança Interna (DSH, sigla em inglês), afirmou que realizará uma investigação onde os resultados serão apresentados ao Congresso e todas as informações serão públicas.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) descreveu os últimos eventos como uma “tragédia assustadora”. “O CBP deve prestar contas e parar de prender crianças. O novo Congresso deve ter como uma de suas primeiras prioridades conduzir uma investigação sobre o Departamento de Segurança Interna (DHS)”, apontou a organização.

Recentemente, a pesquisadora Clara Long, da Human Rights Watch, falou de suas visitas aos centros de detenção de migrantes da CBP, feitas como parte de seu trabalho como pesquisadora. Ela afirmou que as celas são chamadas de hieleras (“freezers”) pelos migrantes por conta da baixa temperatura. As celas normalmente não têm camas o suficiente, obrigando os detidos a dormir no chão de concreto. Após conversar com várias famílias sobre suas experiências nos centros de detenção, Long disse ter concluído que tais locais foram construídos para punir.

 

Leia mais: Como uma criança de sete anos morre sob custódia dos EUA

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