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EX-CEO DA NISSAN

Ghosn se diz inocente em primeiro depoimento

Ghosn afirmou ter 'agido com honra, legalmente e com o conhecimento e a aprovação dos diretores da companhia'

Ghosn se diz inocente em primeiro depoimento
Acusado de fraude financeira, Ghosn está preso desde novembro (Flickr/Adam Tinworth)

Preso desde novembro do ano passado no Japão, acusado de fraude financeira, o ex-CEO da Nissan Carlos Ghosn prestou seu primeiro depoimento na última terça-feira, 7.

Ghosn se declarou e disse que  agiu com “honra, legalmente e com o conhecimento e a aprovação dos diretores da Nissan”.

“Fui acusado injustamente e detido injustamente com base em acusações sem fundamento”, disse Ghosn ao tribunal do Distrito de Tóquio. “Ao contrário das acusações feitas pelos promotores, nunca recebi qualquer compensação da Nissan que não tenha sido divulgada, nem jamais assinei qualquer contrato vinculante com a Nissan para receber uma quantia fixa que não foi revelada”, disse o ex-CEO da Nissan.

Ghosn ganhou prestígio há duas décadas, após ter sido responsável por resgatar a Nissan de uma falência. Em sua audiência, ele parecia mais magro e usava terno sem gravata. Ele assegurou que de modo algum não fez a Nissan compensar suas perdas pessoais e detalhou as transações pelas quais ele é acusado de quebra de confiança, afirmando que as quantias transferidas por uma subsidiária da Nissan para um empresário saudita foram pagas pelos serviços prestados para o grupo na região do Golfo.

Ghosn afirmou que pediu para assumir a empresa temporariamente para a garantia de seus contratos de câmbio durante a crise global de 2008. O executivo explicou que quis evitar a única escolha possível, de que seria renunciar em pleno caos financeiro, utilizando recursos de sua aposentadoria como garantia.

“Meu compromisso moral com a Nissan não me permitiria demitir-me durante aquele momento crucial. Um capitão não pula do barco no meio de uma tempestade”, afirmou Ghosn, que afirmou ainda que os contratos foram transferidos de volta para ele e que a Nissan não sofreu nenhuma perda.

A audiência foi realizada para explicar as razões sobre a detenção prolongada. Ghosn aproveitou para negar acusações, uma medida que o advogado Masashi Akita considerou um tanto quanto arriscada.

A equipe jurídica de Ghosn deve apresentar sua defesa em uma coletiva de imprensa. O juiz Yuichi Tada afirmou que Carlos Ghosn permaneceria sob custódia por conta do risco de fuga e ocultação de provas.

A Nissan destituiu Ghosn como presidente do Conselho de Administração e afirmou que a investigação foi motivada por um delator que teria encontrado “evidências substanciais e convincentes de má conduta”.

O depoimento de Ghosn pode não mudar o enredo do processo, porém, o processo tem um apelo simbólico para o ex-presidente do Conselho Nissan, porque ofereceu a ele a oportunidade de quebrar o silêncio.

“Mesmo que sejam apenas dez minutos, é muito importante que ele seja capaz de dizer ao mundo sua própria versão” — afirmou Flavien Neuvy, diretor do Cetelem Observatory of the Automobile, com sede em Paris.

O magnata teria chances de ser solto sob fiança, mas isso não costuma ser aprovado antes do julgamento, que deve ocorrer em pelo menos seis meses.

Fontes:
O Globo-Em tribunal, Ghosn diz que é inocente e que agiu com aval de diretores da Nissan

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