Início » Economia » Internacional » Homeopatas deixam em alerta órgãos de saúde ao afirmar que podem curar autismo
SAÚDE

Homeopatas deixam em alerta órgãos de saúde ao afirmar que podem curar autismo

Avanços de homeopatia e movimentos anti-vacinas preocupam. Pais estão optando por essas práticas e deixando os filhos expostos a doenças

Homeopatas deixam em alerta órgãos de saúde ao afirmar que podem curar autismo
A OMS afirmou que a falta de vacinação é uma das principais ameaças globais da saúde (Foto: Free Google Site/Wikimedia)

Pelo menos 200 homeopatas americanos estão praticando em crianças a terapia chamada Complete Elimination Of Autistic Spectrum Expression.(
Cease, em inglês). Essa prática afirma conseguir tratar e curar o autismo através de medicações homeopáticas.

Bastante conhecida na Europa e nos Estados Unidos, a Cease é realizada principalmente com altas doses de vitamina C. Segundo defensores de movimentos anti-vacinas, essa nova terapia repara os danos causados pela vacinação. Apesar dessa declaração, não existe nenhuma ligação entre as vacinas e o autismo, que é uma condição mental.

Além desses, outros 250 homeopatas, alguns dos quais também praticam a Cease, começaram a promover a homeoprofilaxia, que é um “programa de educação” imunológica do organismo. Mais de 2 mil crianças americanas foram colocadas nesse programa, que tem como conceito construir uma imunidade natural contra as doenças infecciosas. Em contrapartida, não existem evidências de que a homeoprofilaxia funcione.

Essa situação tem preocupado os órgãos de saúde, visto que os pais que optam por seguir essas práticas acabam deixando seus filhos expostos a doenças que podem levá-los até mesmo à morte. A mensagem que essas terapias passam é que as vacinas comuns são prejudiciais ao organismo e devem ser evitadas.

Esses ideais normalmente divulgados por anti-vacinas geraram um grande impacto na saúde pública dos Estados Unidos. No mês passado, o número de casos de sarampo foi o maior em 25 anos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, foram confirmados 1.001 casos de sarampo em mais de 20 estados neste ano.

Segundo cientistas e especialistas em saúde pública, esse “boom” de casos de sarampo está relacionado à proliferação da hesitação dos pais em não vacinarem seus filhos. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que uma das principais ameaças globais da saúde está relacionada aos movimentos anti-vacinas.

De acordo com Peter Hotez, professor e reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical do Baylor College of Medicine, “esses surtos de sarampo foram eram previsíveis, já que o movimento anti-vacina começou a afetar a saúde pública neste país”, afirmou.

O professor, que tem uma filha autista, escreveu um livro desmentindo a falsa ligação entre vacinas e o autismo, destacando que não existe outra alternativa para o sarampo sem ser as vacinas tradicionais, e que não existe cura para o autismo.

A homeopata Kate Birch afirma ter importado a homeoprofilaxia para os Estados Unidos em 2008, além de ter treinado 250 profissionais para se especializarem na terapia. A homeopata ressaltou que aproximadamente 2 mil crianças nos Estados Unidos estão sob sua supervisão.

A organização Crianças Livres e Saudáveis, sob responsabilidade de Birch, de ideologia anti-vacina, afirma que os membros de sua organização “estão preocupados com a alarmante incidência de distúrbios do sistema imunológico e atrasos no desenvolvimento, que afetam diversas crianças com o atual programa de vacinação”. Segundo Birch, “remédios homeopáticos podem ser usados preventivamente contra o sarampo”.

Em uma entrevista ao Guardian, a homeopata afirmou que a imunidade das crianças é fortalecida através dos nosódios, remédios homeopáticos feitos de “tecido patológico da doença”, ingeridos de forma oral, diluídos em água. Ademais, Birch ressaltou que os nosódios foram regulamentados nos Estados Unidos pela Food and Drug Administration (FDA).

Quando questionada sobre o aumento dos casos de sarampo, Birch afirmou que seu trabalho é dedicado para a “melhoria da saúde pública através do fortalecimento do sistema imunológico das crianças para doenças infecciosas”.

“A melhor imunidade às doenças infecciosas na infância é através da exposição natural e, então, ela passa a ter imunidade vitalícia”, ressaltou a homeopata.

Na última vez que os americanos ficaram “expostos ao natural”, ou seja, antes do início do programa de vacinação contra o sarampo, em 1963, a doença afetou 4 milhões de pessoas por ano. Aproximadamente 50 mil foram internados e 500 morreram.

O Guardian solicitou a opinião da FDA sobre a homeoprofilaxia. A entidade, por sua vez, não comentou especificamente sobre essa terapia, mas afirmou que “alertou sobre o uso de produtos rotulados como homeopáticos devido as preocupações de que eles não demonstrem oferecer benefícios clínicos no tratamento de doenças graves e/ou de vida”.

“Nos preocupa profundamente quando vemos doenças evitáveis, como o sarampo – uma infecção com risco de vida que pensamos ter sido eliminada nos EUA em 2000 – e agora estamos tendo um retorno trágico e ameaçando nossas comunidades, apesar de ter uma vacina disponível, segura e altamente eficaz. Um fator que contribui para o surto de sarampo é a informação incorreta e enganosa sobre as vacinas, e não a confiança em informações precisas e de base científica”, afirmou a FDA.

Fontes:
The Guardian-Exclusive: US homeopaths claim 'therapies' prevent measles and 'cure' autism

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *