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AGRICULTURA

Lagartas militares estão invadindo a África

Praga pode causar uma crise de alimentos na África Subsaariana, onde o milho é alimento básico

Lagartas militares estão invadindo a África
Quando é ainda apenas uma lagarta, ela pode comer mais de 80 espécies de plantas (Foto: Wikimedia)

A África está sendo invadida por lagartas militares (Spodoptera frugiperda). Elas chegaram ao continente por navios do ocidente e depois se espalharam pela região. Agora, dois anos depois, elas estão preocupando as autoridades em quase todos os países da África Subsaariana. A mariposa ameaça às plantações e pode causar uma crise de alimentos no continente.

Quando é ainda apenas uma lagarta, ela pode comer mais de 80 espécies de plantas. Mas seu alimento favorito é o milho, que também é o alimento básico de mais de 200 milhões de africanos subsaarianos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), a África Subsaariana tem cerca de 35 milhões de hectares de plantações de milho de pequenos agricultores e quase todos já estão infestados pela praga ou estão em risco.

Se a praga não for controlada, 20% do total das plantações de milho pode sumir. Em alguns países, a situação pode ser ainda pior. Segundo o Centro Internacional de Biociência Agrícola (CABI, na sigla em inglês), uma associação de centros de pesquisa de agricultura em 12 países, grandes produtores de milho, como Nigéria e Tanzânia, podem perder mais da metade da produção.

As lagartas militares são originárias das Américas. Por lá, elas foram uma praga por centenas de anos, mas foram controladas com as plantas geneticamente modificadas, além dos pesticidas avançados. Estes insetos foram detectados oficialmente primeiramente na Nigéria em janeiro de 2016. Agora, eles podem ser encontrados em 43 outros países africanos.

Há dois motivos para esta rápida expansão: a biologia e o tipo de agricultura. A África já tem seu próprio tipo de lagarta militar, que eles sabem como controlar. No entanto, a lagarta militar estrangeira que migrou para a África Subsaariana, não. Além disso, elas se reproduzem muito rapidamente. Em dez dias na fase adulta, a fêmea pode colocar mil ovos. Para piorar, na África, a agricultura é feita por pequenos fazendeiros que usam técnicas obsoletas.

Especialistas temem que se os agricultores usarem muito pesticida barato para matar os insetos, eles podem acabar envenenando a cultura. Alla Hruska, da FAO, espera ensinar técnicas que pequenos agricultores usam nas Américas, o que inclui sistema de culturas mistas, incentivo ao uso de predadores naturais e patrulha dos cultivos para quebrar os ovos com as mãos.

Outra opção seria plantar culturas geneticamente modificadas, que são altamente resistentes à praga. No entanto, quase todos os países da África, exceto África do Sul, proibiram formalmente ou informalmente os geneticamente modificados, seguindo o conselho dos ambientalistas, que não veem essa opção com bons olhos.

Fontes:
The Economist-An army of worms is invading Africa

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