Início » Economia » Internacional » O inglês e o ‘Brexit’
LÍNGUA

O inglês e o ‘Brexit’

Os cidadãos dos países membros da União Europeia (UE) ainda vão falar inglês, ou uma variante dessa língua, mesmo se o referendo da saída do Reino Unido da UE for aprovado

O inglês e o ‘Brexit’
Embora o Reino Unido seja um membro anômalo da UE, o inglês se transformou em uma língua neutra de trabalho, que a maioria das pessoas domina (Foto: Pixabay)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O Reino Unido nunca foi um membro típico da União Europeia (UE). É o único país cuja adesão à Comunidade Econômica Europeia (CEE) foi vetada duas vezes pela França. Só ingressou em 1973, quase 20 anos depois que os seis membros originais criaram a CEE.

Por esse motivo, causa surpresa que o inglês, a língua do membro mais recalcitrante da UE, tenha sido adotado como o idioma predominante entre os demais membros. Do ponto de vista legal, as 24 línguas oficiais dos 28 países membros têm o mesmo status. Aos poucos, no entanto, o inglês suplantou o francês como o idioma comum entre os cidadãos europeus que trabalham nas instituições da UE e os parlamentares que não compartilham a mesma língua.

Mas no próximo referendo em junho os eleitores britânicos poderão votar a favor da saída do Reino Unido da UE, apesar de os eleitores em três países do UK apoiarem a permanência. Assim, se a saída do Reino Unido se concretizar os 450 milhões de cidadãos da União Europeia terão como língua comum um idioma falado oficialmente só na República da Irlanda com uma população de 4,6 milhões de pessoas e em Malta, um ilha com 450 mil habitantes. Entretanto, é possível que em um segundo referendo a Escócia aprove a proposta de independência do Reino Unido e se reúna à UE.

Porém mesmo com a presença dos escoceses entre os cidadãos dos países membros da UE, 10 milhões de pessoas que têm o inglês como língua materna representam uma minoria insignificante em um universo de 450 milhões. Em 2012, um relatório mostrou que 38% dos cidadãos da UE não tinham o inglês como idioma nativo, assim como quase todos os funcionários das instituições da União Europeia em Bruxelas.

Embora o Reino Unido seja um membro anômalo da UE, o inglês se transformou em uma língua neutra de trabalho, que a maioria das pessoas domina. Mas sua associação com o UK é frágil e se enfraquecerá ainda mais se o “Brexit” for aprovado. Algumas pessoas sonham há muito tempo com a criação de uma língua de comunicação internacional. Alguns estudiosos tiveram o trabalho de inventar línguas internacionais e neutras com essa função. Quem sabe? Talvez o inglês possa algum dia cumprir o destino previsto para o esperanto.

Fontes:
The Economist-English becomes Esperanto

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *