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OBESIDADE

Os riscos do neuromarketing no setor alimentício

Especialistas em obesidade têm pensado em punir empresas alimentícias diante da suspeita de que o marketing de junk food pode manipular o cérebro das crianças

Os riscos do neuromarketing no setor alimentício
Especialistas têm pensado na possibilidade de processar a indústria alimentícia diante da suspeita de que o marketing de junk food pode enganar o cérebro da criança (Foto: Pixabay)

As empresas de alimento têm muito interesse no neuromarketing. No entanto, especialistas em obesidade têm pensado na possibilidade de processar a indústria alimentícia diante da suspeita de que o marketing de junk food pode manipular o cérebro da criança.

Empresas de fast food e refrigerantes interagem cada vez mais com as crianças pelas redes sociais e pelos jogos online. Algumas estão começando a reunir informações de imagens cerebrais sobre decisões inconscientes de quando se escolhe um lanche em vez de outro.

A Frito-Lay, subsidiária da PepsiCo, por exemplo, contratou uma empresa de neuromarketing para pesquisar o que acontece na mente das pessoas quando elas comem o salgadinho Cheetos. As imagens cerebrais mostraram que as pessoas têm uma espécie de prazer culpado. Essa revelação encabeçou a propaganda “Orange Underground”, que usa o biscoito para brincar com o senso de rebelião. Em 2009, a campanha ganhou um prêmio da Fundação de Pesquisa em Propaganda nos Estados Unidos.

Segundo um artigo do neurocientista Tom Schonberg no Journal of Cognitive Neuroscience, fazer com que pessoas deem mais atenção a um junk food do que outro afeta suas decisões em longo prazo.

Kelly Brownell, pesquisadora de obesidade e professora de psicologia e neurociência, diz que as pesquisas mais interessantes ainda não começaram. Comer comidas ricas em gordura, sal e açúcar tem um efeito no metabolismo da criança. “Seria interessante ver quais são os efeitos produzidos por apenas olhar a propaganda”, disse Brownell. “Se um [estudo] provar que as mentes das crianças são enganadas pelo marketing, isso poderia abrir possibilidades para ação legal.”

“Se conseguirmos mostrar que há uma vulnerabilidade biológica, isso seria uma mudança de jogo. Eu acho que vai chegar um momento em que vamos conseguir demonstrar isso. Você tem uma criança vulnerável e está explorando essa criança para ganho comercial na conta da saúde dela”, diz Jason Halford, professor de psicologia biológica e comportamento de saúde da Universidade de Liverpool.

Fontes:
The Guardian- Food firms could face litigation over neuromarketing to hijack brains

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