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SAÚDE

Pesquisadores querem encontrar cura do HIV até 2020

O prazo não é para curar a população infectada, mas para encontrar e validar um método científico que leve à cura

Pesquisadores querem encontrar cura do HIV até 2020
Atualmente, há 44 milhões de pessoas com HIV no mundo (Foto: Pixabay)

A amfAR, a Fundação para Pesquisa da Aids quer descobrir a cura da doença até 2020. O compromisso chamado de “Contagem Regressiva”, em 2015, foi reafirmado num encontro promovido pela fundação na última semana na Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo a Organização Mundial da Saúde, há 44 milhões de pessoas com HIV no mundo.

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“Se me perguntassem três anos atrás se o HIV tem cura, minha resposta seria não. Hoje, é sim”, disse Mario Stevenson, chefe da Divisão de Doenças infecciosas e diretor do Instituto de Aids da Universidade de Miami, nos EUA. “Surgiram tantos estudos nesses últimos anos, e todos tão bem embasados e promissores, que é difícil, como médico, não enxergar um caminho para a cura.”

Stevenson foi um dos palestrantes da conferência da amfAR. O prazo de 2020 não é para a população com HIV ser curada, mas para encontrar e validar um método científico de cura.

Atualmente, uma pessoa infectada com o HIV, toma os medicamentos antirretrovirais durante toda a vida. O tratamento não faz com que o vírus desapareça do corpo, mas que fique “adormecido” dentro de algumas células. Apesar de o paciente não sofrer com os efeitos físicos da Aids, o método atrapalha os pesquisadores que buscam eliminar completamente o vírus do corpo. Afinal de contas, eles não conseguem saber onde estão as células infectadas, quando o HIV está indetectável no organismo.

Para acabar com o HIV são necessários quatro passos: identificar os reservatórios virais, entender cientificamente como eles se mantém vivos, mensurar quantas e quais células estão infectadas e eliminar todas elas do organismo.

Até hoje, apenas uma pessoa ficou curada do HIV. Timothy Ray Brown, mais conhecido como o “paciente de Berlim”, foi infectado em 1995. Em 2006, ele descobriu estar com leucemia. O hematologista Gero Huetters fez então um transplante de medula óssea de um doador que possuía uma mutação genética capaz de tornar o organismo de Brown imune ao HIV. Tratava-se de uma raríssima mutação no gene CCR5. Desde então, Brown ficou curado do câncer e não tem mais vestígio do HIV.

Apesar de o procedimento ter dado certo, Stevenson explica as dificuldades de replicá-lo em outros pacientes. “Essa cirurgia tem taxa de mortalidade de 25%, os custos são muito altos e é extremamente difícil conseguir uma doação compatível com o paciente que tenha também a mutação no gene CCR5”, comenta.

Vários pesquisadores de diferentes nacionalidades estão pensando em uma alternativa. Uma pesquisa colaborativa na Europa, por exemplo, busca reproduzir o caso de Brown, usando células-tronco. Pesquisadores da Austrália, por sua vez, testam utilização de drogas anticâncer em pacientes soropositivos, estudo que já se encontra em fase de testes em humanos.

“Eu acredito que ainda vou estar vivo para ver essa cura. Estamos muito mais próximos do que jamais estivemos”, diz Stevenson. No entanto, ele teme que os cortes de verba, que têm ocorrido no Brasil e no mundo, atrapalhem os avanços científicos.

 

 

Fontes:
O Globo-Médicos acreditam que cura do HIV virá até 2020

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1 Opinião

  1. André silva disse:

    E vai chegar na população quando? Não adianta só dizer que possui a cura, tem que devolver o mais rápido possível as pessoas o direito de viver sem este vírus…

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