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AQUECIMENTO GLOBAL

Relatório climático prevê grave crise global até 2040

O relatório detalha os danos econômicos esperados se os governos não aprovarem políticas para reduzir as emissões de gases poluentes.

Relatório climático prevê grave crise global até 2040
Os países que estão dentro do Acordo de Paris foram os primeiros a buscarem esses dados (Foto: Pixabay)

Um relatório histórico do painel científico da Organização das Nações Unidas (ONU), apontou um cenário muito mais sombrio que o imaginado anteriormente em relação às consequências imediatas das mudanças climáticas. Segundo o documento, impedir esse cenário vai exigir a transformação da economia mundial em uma escala ainda “sem precedentes históricos”.

Divulgado na última segunda-feira, 15, pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o relatório foi feito por um grupo de cientistas da ONU, para orientar os líderes mundiais sobre como será um mundo de escassez de alimentos, incêndios florestais, além de mortes em massa de recifes de corais. Os países que estão dentro do Acordo de Paris foram os primeiros a buscarem esses dados.

Os autores do relatório descobriram que, se as emissões de gases do efeito estufa continuarem no ritmo atual, a atmosfera vai esquentar até 2,7 graus acima dos níveis pré-industriais até 2040, inundando as zonas costeiras e intensificando as secas e a pobreza.

Para evitar os danos mais sérios, é necessária a transformação da economia mundial em poucos anos. Segundo os autores do relatório, o dano total virá a um custo de US $ 54 trilhões. Enquanto concluem que é tecnicamente possível viabilizar rapidamente as mudanças para evitar esse cenário, os autores admitem que essas ações seriam politicamente improváveis.

Segundo os dados, seria necessário implementar impostos sobre a emissão de dióxido de carbono. O presidente dos EUA, Donald Trump, que zomba das mudanças climática, afirmou que pretende retirar seu país do Acordo de Paris, e que pretende aumentar a queima de carvão nos Estados Unidos.  No último domingo, 14, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse que, se eleito, também pretende retirar o Brasil do Acordo de Paris. O Brasil ocupa o posto de sétimo maior emissor de gases estufa.

O relatório, que foi escrito e editado por 91 cientistas de mais de 40 países, analisou mais de 6.000 estudos científicos.  O Acordo de Paris tem como objetivo evitar o aquecimento de mais de 3,6 graus acima dos níveis pré-industriais – há muito considerado um limite para os danos sociais e econômicos. Porém, os líderes de pequenos países insulares, temerosos com o aumento do nível do mar, também pediram aos cientistas que examinassem os efeitos de 2,7 graus de aquecimento.

Para prevenir tal aquecimento, a poluição de efeito estufa deve ser reduzida em 45% dos níveis de 2010 até 2030, e 100% até 2050. Além disso, os cientistas concluíram também que o uso de carvão como fonte de eletricidade teria de diminuir quase 40% e o uso de energias renováveis, como eólica e solar, que compõem cerca de 20% das fontes de eletricidade hoje, teriam de aumentar para até 67%.

“Este relatório deixa claro: não há como mitigar a mudança climática, sem se livrar do carvão”, disse Drew Shindell, cientista climático da Duke University e um dos autores do relatório.

Apesar das polêmicas, a delegação dos Estados Unidos se juntou a mais de 180 países no sábado, ao aceitar o resumo do relatório. Um comunicado do Departamento de Estado disse que “a aceitação deste relatório pelo painel não implica o endosso por parte dos Estados Unidos das descobertas específicas ou do conteúdo subjacente do relatório”.

A recusa em aprovar o documento colocaria os Estados Unidos em conflito com muitas nações, pois demonstraria a rejeição da ciência acadêmica estabelecida no cenário mundial. “Reiteramos que os Estados Unidos pretendem se retirar do Acordo de Paris na primeira oportunidade, sem identificar que essas sejam as melhores oportunidades para o povo americano”, disse o comunicado.

Fontes:
The New York Times-Major Climate Report Describes a Strong Risk of Crisis as Early as 2040

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