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Segunda criança migrante morre sob custódia dos EUA

Menino guatemalteco de oito anos morreu nas primeiras horas do dia de Natal, menos de um mês após a morte da menina Jakelin Caal, que também estava sob custódia dos EUA

Segunda criança migrante morre sob custódia dos EUA
O corpo de Jakelin foi velado no último domingo, 23, na Cidade da Guatemala (Foto: Twitter/MarcoVFonseca)

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Um menino guatemalteco de oito anos, que ainda não teve a identidade divulgada, morreu pouco depois da meia noite da última terça-feira, 25, (5h da manhã em Brasília) em um hospital do Novo México, EUA, enquanto estava sob custódia do governo dos Estados Unidos.

É segunda morte de uma criança migrante, que se encontra sob os cuidados dos Estados Unidos, em menos de um mês. O menino perdeu a vida apenas algumas horas antes do velório da menina guatemalteca Jakelin Caal, em sua terra natal.

Ao contrário do rumo que tomou a morte de Jakelin, onde autoridades não informaram diretamente o que aconteceu com a menina, a Agência de Segurança da Fronteira decidiu informar que o menino, apesar de ainda não ter a identidade revelada, apresentava alguns sinais de doenças na segunda-feira, sendo encaminhado com o pai para um hospital em Alamogordo, no Novo México. Ele foi diagnosticado com uma possível gripe, e foram prescritos antibióticos e analgésicos. Após 90 minutos em observação, a criança foi liberada, mas teve uma piora na mesma noite, retornou ao hospital e morreu nos primeiros minutos do Natal.

A polícia da fronteira ainda não divulgou em que centro de detenção estava a criança e seu pai nem como ambos cruzaram a fronteira. As circunstâncias da morte em decorrência da doença ainda não foram identificadas.

Autoridades afirmaram que irão abrir investigações para apurar todas as ações que foram realizadas, bem como as circunstâncias da morte do menino, visto que, mortes de migrantes em áreas desérticas não são raras. Porém, não houve registro de morte de menores até o caso de Jakelin. A agência de segurança da fronteira já notificou o Departamento de Segurança Interna e o governo da Guatemala da morte desta criança, que ocorre menos de um mês após a morte da menina Jakelin.

O número de detenções de imigrantes na fronteira dos EUA disparou no ano de 2018, chegando a quase 400 mil, devido ao aumento de famílias com crianças. Como uma criança não pode ficar detida por mais de três semanas, a Administração de Trump decidiu separar as crianças de seus pais, a fim de prolongar a detenção dos adultos. Porém, a onda de críticas nacional e internacional contra a medida fez o presidente republicano voltar atrás.

Jakelin é velada por familiares

A comunidade indígena guatemalteca de San Antonio Secortez se despediu de Jakelin na última segunda, 24. A menina, que morreu aos sete anos sob custódia do governo dos Estados Unidos, não teve a causa da morte revelada. Ela e o pai, Nery Caal, entraram nos Estados Unidos clandestinamente e foram detidos pela patrulha fronteiriça. Foram detidos em 6 de dezembro, junto de 163 migrantes.

Após a detenção, a menina começou a ter febre, náuseas e foi atendida inicialmente por socorristas da patrulha fronteiriça. Sem melhora, foi encaminhada para um hospital do Texas, onde veio a morrer. O caso segue em investigação e se pressupõe que Jakelin morreu de desidratação e choque séptico.

O relator especial da ONU para direitos humanos dos migrantes, Felipe Gonzáles Morales, pediu, através de um comunicado, que as autoridades americanas garantam uma “investigação profunda e independente da morte de Jakelin Caal”.

O corpo da menina foi velado no domingo, 23, na Cidade da Guatemala, após uma longa viagem à aldeia, onde recebeu modestas homenagens. “Nunca pensamos que passaríamos um Natal triste”, disse à AFP Carlos Caal, tio da menina, durante o velório.

Carlos acrescentou que espera conseguir se comunicar com seu irmão, Nery, através de videochamadas. Nery conseguiu permissão das autoridades migratórias para permanecer nos Estados Unidos.

Com inúmeras mensagens de saudades, amigos e familiares se despediram da menina na casa de seus avós. Ela foi sepultada no cemitério de Raxruhá, no dia de Natal.

Carlos relatou ter recebido a solidariedade dos moradores, que saíram para acompanhar o cortejo fúnebre, e de famílias que doaram alimentos para a família de Jakelin. “Quase todo mundo sente a dor que nós sentimos”, disse Carlos.

A mãe de Jakelin, Claudia Maquín, disse que a filha e o marido foram para os Estados Unidos buscar uma vida melhor, pois os moradores da pequena aldeia sobrevivem apenas com seis dólares diários, que conseguem com a colheita de milho.

“Eles (Nery e Jakelin) foram embora porque aqui o dinheiro não dá, foram procurar trabalho. Pena que a menina morreu”, acrescentou Fernando Cas, morador da aldeia vizinha de San Isidro.

Milhares de centro-americanos, principalmente da Guatemala, Honduras e El Salvador, vem tentando fugir do avanço da violência e da pobreza que atinge a população do chamado Triângulo Norte da América Central.

Para solucionar as causas da migração, os governos de Estados Unidos e México anunciaram a criação de um plano de desenvolvimento para a América Central.

 

Leia mais: Como uma criança de sete anos morre sob custódia dos EUA

Fontes:
El País-Morre segunda criança migrante sob custódia do Governo dos EUA
AFP-Comunidade maia se despede de menina migrante morta sob custódia nos EUA

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