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ESPÉCIE AMEAÇADA

Seria a pele de asno o novo marfim?

Alta na demanda chinesa por pele de burro levou a população do animal a cair drasticamente em muitos países africanos

Seria a pele de asno o novo marfim?
A população de burros do Quênia caiu para 900 mil, a metade registrada em 2009 (Foto: Wikimedia)

Os asnos, conhecidos popularmente como burros, são a espinha dorsal de muitas aldeias agrícolas nos países em desenvolvimento. Mas se as tendências atuais continuarem, os trabalhadores do mundo rural precisarão, em breve, encontrar um novo animal de carga. A população de asnos diminuiu drasticamente em muitos países africanos. No Quênia, por exemplo, a população do animal caiu para 900 mil, a metade registrada em 2009. A causa primária não é uma doença ou a demanda em declínio, mas um crescente mercado pelas suas peles.

Desde os tempos antigos, os chineses consumiam ejiao, uma gelatina feita fervendo e refinando a pele de burro para produzir um tônico tomado como um elixir. À medida que o país ficou mais rico nos anos 1990 e 2000, a demanda pelo produto cresceu e menos asnos foram necessários para agricultura e transporte. Como resultado, havia apenas 5 milhões de burros na China em 2016, abaixo dos 11 milhões em 1990. A China não tem mais o suficiente para satisfazer sua sede de ejiao. Uma solução é usar a pele de outros animais, como porcos, para a fabricação do produto, mas alguns fabricantes já instituíram testes de DNA para garantir que o seu ejiao seja genuíno. A outra opção é importar do exterior.

As maiores fontes da China são africanas. No Quênia, o preço de um asno subiu 325% durante um período de seis meses no ano passado. De 2011 a 2016, o número de burros caiu 60% em Botsuana e um quinto em Lesoto. No Quirguistão, que faz fronteira com a China, e na Índia, as populações caíram um quinto em 2015 e 2016. Na América do Sul, a Colômbia perdeu quase um décimo de seus burros e o Brasil cerca de 5% no mesmo período. Alguns burros da América do Sul são transportados mais de mil quilômetros para abate, demonstrando o alcance da demanda chinesa.

Os agricultores pobres dificilmente podem ser culpados por vender seus asnos por somas que diminuem seu valor como animais de tração. Mas, em muitos casos, os fornecedores não são os proprietários reais. Em vez disso, os ladrões começaram a roubar burros para aproveitar os crescentes preços, deixando os agricultores sem seus trabalhadores mais valorosos.

Em resposta, cerca de 15 países tomaram medidas para conter o comércio de burros, como a recusa de licenças para exportação. Em 2015, o Paquistão tornou-se o primeiro país a proibir a exportação de peles de asnos. Vários países africanos, incluindo Botsuana, agora proíbem as exportações para a China. O Donkey Sanctuary, uma instituição de caridade, quer a suspensão imediata do comércio. Mas com ejiao sendo tão popular entre as classes médias da China, o governo está ignorando. Em janeiro, inclusive, o governo chinês impulsionou a indústria reduzindo a tarifa sobre as importações de peles de burro de 5% para 2%.

Fontes:
The Economist-Donkey skins are the new ivory

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