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SAÚDE

Surto de sarampo já atinge 15 estados nos EUA

O ano de 2019 já é o segundo com o maior número de casos de sarampo desde que os EUA erradicaram a doença há quase 20 anos

Surto de sarampo já atinge 15 estados nos EUA
Movimento antivacina ameaça reverter o progresso no combate às doenças (Foto: Pixabay)

Segundo o relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 2019 é o segundo ano com o maior número de casos de sarampo desde que os EUA erradicaram a doença há quase 20 anos.

Nos três primeiros meses de 2019, o número de casos de sarampo superou o registro total de pessoas infectadas no ano passado.

Em 1º de abril, o CDC informou que desde o início do ano os hospitais, clínicas e postos de saúde registraram 387 casos de sarampo.

O surto de sarampo atingiu quinze estados. O condado de Rockland, no estado de Nova York, registrou 157 casos, a maioria deles em uma comunidade judaica ultraortodoxa. O condado de Clark, no estado de Washington, relatou 73 casos, quase todos em crianças de 10 anos ou menos.

Na Califórnia, 16 pessoas foram infectadas com o vírus do sarampo desde o início do ano. Um número assustador se comparado ao total de 21 casos da doença em 2018. Os registros da doença aproximam-se do número de pessoas infectadas no surto de sarampo na Disneylândia, em 2014 e 2015, o maior na história do estado.

Em geral, os casos de sarampo diminuem durante o verão, mas a rapidez com que a doença está se disseminando assusta os especialistas.

“A situação está se agravando”, disse Peter Hotez, professor e reitor da National School of Tropical Medicine da Baylor College of Medicine, e autor do livro Vaccines Do Not Cause Rachel’s Autism.

O sarampo é uma doença grave e extremamente contagiosa, que afeta, sobretudo, bebês. Em 2017, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 110 mil pessoas morreram em decorrência da doença. Pessoas que não se vacinaram e que viajam para lugares que não erradicaram a doença são mais vulneráveis a contraí-la.

O aumento dos casos de sarampo nos três primeiros meses deste ano ocorre em meio a um intenso debate público sobre imunização.

Além de exceções por razões médicas, alguns estados dos EUA permitem que os pais não vacinem os filhos por motivos religiosos ou filosóficos.

O movimento antivacina, que ameaça reverter o progresso no combate às doenças, quer ampliar essas exceções.

Na opinião de Barbara McAneny, presidente da Associação Médica Americana, a vacinação não só evita que as pessoas contraiam doenças, como também impede que a doença seja transmitida a parentes, vizinhos, colegas de trabalho e outras pessoas com contato próximo.

Nos últimos anos, as redes sociais desempenharam um papel importante na difusão das ideias do movimento antivacina.

Peter Hotez preocupa-se com as informações nem sempre corretas divulgadas nas redes sociais e com a capacidade de discernimento dos pais.

“É mais provável que os pais recebam informações equivocadas sobre a importância da vacinação. Se não tiverem espírito crítico não farão mais pesquisas sobre o assunto. E essas ideias passarão a ser uma verdade.” 

Fontes:
The Guardian-Measles cases soar across US: 'It's getting worse

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