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COREIA DO NORTE

Empresas público-privadas estimulam economia da Coreia do Norte

Novo conglomerado empresarial na Coreia do Norte incentiva o desenvolvimento econômico do país e sua abertura política

Empresas público-privadas estimulam economia da Coreia do Norte
Na Coreia, os empresários normalmente são parentes de ministros e de autoridades do alto escalão (Foto: Flickr)

“Um sabor adocicado especial”, anuncia um cartaz de uma nova marca de soju, um aguardente local fabricado pela empresa Naegohyang. A empresa norte-coreana começou a fabricar cigarros que, segundo dizem, são os preferidos do líder da Coreia do Norte Kim Jong-un. Em seguida, expandiu suas atividades para a produção de baralhos, papel higiênico, kits esportivos e equipamentos eletrônicos. A empresa divulga seus produtos no estádio da equipe de futebol feminino que patrocina.

Naegohyang, que significa “Minha Pátria”, é uma das muitas empresas grandes e diversificadas da Coreia do Norte. No Kwangbok Area Shopping Centre, em Pyongyang, os cigarros “7.27” fabricados pela Naegohyang competem com a marca Hanggong, produzida pela companhia aérea estatal Air Koryo. A Air Koryo também expandiu suas atividades com a comercialização de patê de faisão e da cavalinha enlatada, além da administração de serviços de táxis e postos de gasolina.

Esses conglomerados são resultado de “uma parceria público-privada”, disse Chris Green, do instituto de pesquisa International Crisis Group. De acordo com a lei norte-coreana, o governo detém o monopólio empresarial do país. Mas apesar de pertencerem ao Estado, essas empresas são administradas por profissionais independentes e dependem, pelo menos em parte, de financiamento privado.

Depois que uma escassez de víveres provocou o colapso do sistema de racionamento do governo na década de 1990, Kim Jong-il, pai do atual líder supremo, ignorou a existência dos jangmadang, pequenos mercados onde os norte-coreanos compravam e vendiam mercadorias. Mais tarde, os ministérios permitiram a comercialização de determinados produtos, o que criou oportunidades de crescimento para empresários da cadeia de suprimentos. O governo exige que algumas empresas estatais e trabalhadores agrícolas forneçam cotas fixas de produtos, porém permite que façam uso livre do excedente da produção, o que estimulou ainda mais a iniciativa privada.

Nem todos os conglomerados originaram-se dos ministérios. Alguns começaram como empresas privadas, mas a parceria com o Estado foi fundamental para garantir sua penetração no mercado. A elite rica da Coreia do Norte financia suas atividades, porém retém a maior parte dos lucros. O ministério responsável pela supervisão do funcionamento desses conglomerados oferece proteção em troca de um imposto reduzido, em geral, uma quantia fixa calculada segundo a expectativa de lucros.

Nos últimos anos, as sanções econômicas incentivaram o desenvolvimento de conglomerados, disse Andray Abrahamian do Center for Strategic and International Studies em Honolulu. O exemplo de Mianmar é ilustrativo, acrescentou. As sanções que bloquearam o acesso aos produtos estrangeiros e ao investimento externo resultaram na liderança da economia por um grupo de pessoas bem relacionadas com o governo. Na Coreia do Norte, os empresários com frequência são parentes de ministros e de autoridades do alto escalão do governo. Jang Song Thaek, tio de Kim, que foi executado em 2013 por traição, controlava o setor de pesca, a mineração de carvão e as exportações de outros minerais no país.

Ao contrário do pai, Kim Jong-un não tentou impedir o desenvolvimento de uma economia privada ou de grandes empresas. Desde 2013, a política de seu governo enfatiza a criação de armas nucleares e o fortalecimento da economia. Em 2014, a lei foi alterada para permitir que os diretores de companhias estatais criassem joint ventures com empresas estrangeiras e pudessem receber financiamento de investidores privados norte-coreanos.

Segundo analistas, as grandes empresas são úteis ao governo. Não só pagam impostos, como também fabricam produtos de difícil acesso em razão das sanções internacionais. Os ricos ficam felizes em aumentar seu poder econômico, apesar do risco de serem eliminados por um capricho de um regime despótico. De acordo com dados do Banco da Coreia, em Seul, o PIB da Coreia do Norte aumentou 3,9% em 2016.

Mas em longo prazo, uma sociedade mais ambiciosa e uma classe média mais próspera podem levar à abertura do país, observou Simon Cockerell, gerente da Koryo Tours, uma agência de viagens com sede em Pequim, que já visitou a Coreia do Norte 168 vezes. As empresas privadas progrediram graças, em parte, a um crescente número de consumidores, sobretudo de Pyongyang. Na avaliação da ONG sul-coreana Sokeel Park of Liberty, o desenvolvimento de novos centros de poder, em consequência dos incentivos econômicos, aumentará a pressão sobre um dos regimes mais fechados do mundo a promover uma abertura política.

Fontes:
The Economist - A new breed of conglomerates is helping to prop up North Korea

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1 Opinião

  1. Beraldo disse:

    A tendência é de que a Coreia do Norte adote o sistema chinês, de capitalismo de estado (abertura sob controle).

    Questão de tempo.

    Tempo a ser definido pela própria China.

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