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Geopolítica

Empresas sobrevivem em zonas de guerra

Morte, caos e destruição não são tão ruins para os negócios como se poderia pensar

Empresas sobrevivem em zonas de guerra
O Estado Islâmico pode ser uma ameaça geopolítica, mas ainda não representa um perigo muito grande para as empresas (Reprodução/Reuters)

O Estado Islâmico pode ser uma ameaça geopolítica, mas ainda não representa um perigo muito grande para as empresas. A apenas um dia de carro de uma zona de combate controlada por curdos no Iraque, três empresas de petróleo ocidentais, Genel Energy, DNO e Gulf Keystone, continuam a bombear petróleo bruto, que é canalizado ou enviado por via rodoviária para a Turquia. O valor de mercado combinado dessas empresas despencou depois que os terroristas do Estado Islâmico tomaram a cidade de Mosul, em junho, mas se recuperou e alcançou US$ 8,3 bilhões, uma queda de 29% desde o início do ano. Isso não é tão ruim para empresas no front do fanatismo. Os investidores tiveram de alterar os seus modelos financeiros, mas ninguém correu para a porta.

Essa mistura de instabilidade e manutenção do status quo é observada também em outras partes do mundo. Em um novo livro, Henry Kissinger, o decano dos estrategistas de política externa, descreve um mundo no qual a desordem é uma ameaça. A violência na Ucrânia e no Oriente Médio e as tensões no Mar do Sul da China são prova disso. Em teoria, após 20 anos de expansão global, as multinacionais estão mais vulneráveis ​​do que nunca. Empresas ocidentais cotadas em bolsa têm 20% a 30% de suas vendas em mercados emergentes, cerca do dobro do nível que tinham em meados da década de 1990. O risco político pode variar de instabilidade monetária, normas vingativas, limitações à remessa de dinheiro de volta para casa e distúrbios de produção provocados por sanções ou até mesmo nacionalizações.

No entanto, nenhuma das recentes turbulências geopolíticas teve muito impacto sobre as empresas ou os mercados financeiros. Houveram alguns abalos. Carlsberg, Adidas, Société Générale e outras empresas tiveram quedas no valor de ações devido à Rússia. As perdas totais sofridas por empresas ocidentais por causa da Rússia chegam a US$ 35 bilhões, mas isso é uma gota no oceano das multinacionais. Um índice de risco político calculado pela Dun & Bradstreet, uma empresa de análise, está em seu nível mais alto desde 1994 (em parte como resultado da crise na zona do euro). Mas o índice VIX, que mede a volatilidade implícita do mercado de ações dos Estados Unidos e que também é conhecido como o “medidor do medo”, está perto de uma baixa de 20 anos.

Uma explicação é óbvia: os lugares que sofrem conflitos são politicamente importantes, mas economicamente pequenos. O Oriente Médio, norte da África, Rússia e Ucrânia juntos respondem por apenas 7% da produção econômica mundial.

 

Fontes:
The Economist-Profits in a time of war

1 Opinião

  1. Joma Bastos disse:

    “…os lugares que sofrem conflitos são politicamente importantes, mas economicamente pequenos. O Oriente Médio, norte da África, Rússia e Ucrânia juntos respondem por apenas 7% da produção econômica mundial.”
    A ver vamos!

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