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GUERRA COMERCIAL

Entenda a questão das tarifas dos EUA ao aço e alumínio

Tarifas de Donald de Trump às importações dos produtos não protegem os EUA e prejudicam o Brasil, o 2º maior exportador de aço para o país

Entenda a questão das tarifas dos EUA ao aço e alumínio
Trump justifica decisão afirmando que busca proteger a segurança nacional dos EUA (Foto: Pixabay)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concretizou na última quinta-feira, 8, sua promessa de impor novas tarifas para a importação de aço e alumínio pelo país.

Em um anúncio oficial na Casa Branca, Trump declarou que seu país vai impor uma sobretaxa de 25% para o aço e 10% para o alumínio. A cobrança entra em vigor no próximo dia 23. Trump justificou sua decisão afirmando que busca proteger os EUA de práticas comerciais injustas e preservar a segurança nacional.

As novas tarifas serão aplicadas a todos os países, com exceção de México e Canadá, que devem negociar separadamente com os EUA, no âmbito do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta). Em seu discurso, Trump afirmou que outros países também podem ser isentos da cobrança, algo que ele afirmou ser muito justo “especialmente para aqueles países que nos tratam bem”.

O anúncio teve repercussão em vários países, afetou mercados de ações e elevou o temor de uma guerra comercial. Nesta sexta-feira, 9, a comissária da União Europeia para o Comércio, Cecilia Malmstrom, afirmou que o bloco pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) em até 90 dias, caso seus 28 membros não sejam excluídos da cobrança. Para o bloco, as novas tarifas nada têm a ver com a segurança nacional dos EUA e são, na realidade, uma medida protecionista. O bloco já tinha anunciado uma lista de 100 produtos americanos que pretende sobretaxar em retaliação à medida.

Impactos no Brasil

O governo brasileiro também considera a medida protecionismo disfarçado. Em nota conjunta divulgada logo após o anúncio de Trump, os ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Marcos Jorge (Indústria, Comércio Exterior e Serviços) alertaram que a decisão de Trump provocará “graves prejuízos” e “significativo impacto negativo às exportações” brasileiras.

De fato, o Brasil será um dos principais afetados pela ação americana. O país é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. Para ter uma ideia, a venda de aço para os EUA representa um terço das exportações brasileiras do produto.

O anúncio de Trump fez a Bovespa fechar em queda na quinta-feira, pressionada por quedas em ações da Vale e empresas siderúrgicas. O Ibovespa caiu 0,59%, fechando em 84.976 pontos. As ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN ON) caíram 5,08%, e as da Gerdau (Gerdau PN) caíram 4,18%. A Vale, que também enfrenta queda no preço do minério de ferro da China, caiu 3,24%.

O Brasil estuda quatro medidas para contornar a questão. O país recorrer à OMC, sob a afirmação de que as exportações brasileiras não ameaçam a segurança nacional dos EUA. Outra estratégia seria exortar as indústrias americanas consumidoras de aço brasileiro a contestar a medida no Departamento de Comércio dos EUA. Isso porque 80% do aço brasileiro exportado para os EUA é semiacabado e reprocessado nos EUA para a produção de peças para setores automobilístico, militar e de petróleo. Também é possível promover uma negociação entre governos para isentar o Brasil das novas tarifas, sob o argumento de que ambos têm uma cooperação essencial em segurança.

O Brasil também pode seguir os passos da União Europeia e retaliar os EUA elevando tarifas para importação de produtos americanos. Esta última é vista com cautela, já que pode ajudar a desencadear uma guerra comercial, que afetaria em especial economias que, assim como o Brasil, têm nas exportações o carro-chefe de suas economias.

O cerne da questão

O atual embate americano em relação ao aço e alumínio tem como raiz o excesso de capacidade de produção no setor siderúrgico global. O tema vem sendo discutido há anos e é alvo de preocupação não apenas dos EUA, mas também da Europa e países do G20.

Em 2015, por exemplo, o excesso de capacidade do setor siderúrgico global resultou em uma produção de cerca de 2,4 bilhões de toneladas, para um consumo na ordem de 1,7 bilhão de toneladas, resultando em um excesso de 700 milhões de toneladas de aço no mundo.

No centro do debate está a China, que produz mais da metade do aço e alumínio do mundo, usa subsídios para apoiar suas usinas siderúrgicas e é acusada de invadir os mercados siderúrgicos globais com um volume cada vez maior de aço.

No entanto, analistas do setor afirmam que a abordagem de Trump em relação ao problema é equivocada e não soluciona a questão do excesso de capacidade. Isso porque as novas tarifas não vão afetar a China, uma vez que Pequim deixou de se interessar pelo mercado americano em 2016, quando o então presidente Barack Obama aplicou tarifas à importação de aço da China que, em algumas casos, chegaram a mais de 500%. A medida fez as exportações chinesas do produto aos EUA despencarem em quase dois terços. Hoje, o China é a 11ª colocada no ranking de países exportadores de aço para os EUA.

Em um artigo publicado no portal CNBC, o analista político Joshua Bateman afirmou que Trump trava com a China uma guerra já vencida. “Para os produtores de aço chineses, no entanto, a medida não terá impacto. Embora a China seja a maior exportadora de aço do mundo, ela é apenas a 11ª fonte de vendas para os EUA, respondendo por apenas 2% do total importado pelo país no ano passado”, explica o artigo.

A mesma opinião é compartilhada por um artigo publicado na revista Foreign Policy. Segundo o texto, a abordagem de Trump acirra uma guerra comercial que trará grande impacto para o comércio mundial, deixando, em contraponto, o problema do excesso de capacidade intocado.

“Embora Trump na Casa Branca tenha apontado países como a China, que subsidiam suas indústrias e inundam mercados globais, suas novas tarifas terão virtualmente nenhum impacto na China, que já está sujeita a uma gama de tarifas na exportação de aço por conta de suas práticas comerciais danosas”, conclui o artigo.

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1 Opinião

  1. Aureo Ramos de Souza disse:

    Não quero nem entender esta falcatrua de TRUMP. Ele ´muito matreiro e teve medo de ir a Korea do Norte a convite. Se recusou a ir quando tudo poderia ser resolvido entre as duas Koreas

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