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EUA aplicam medidas restritivas ao aço e alumínio brasileiros

Segundo o governo, as negociações foram interrompidas no último dia 26 de abril, com os EUA decidindo aplicar quotas restritivas

EUA aplicam medidas restritivas ao aço e alumínio brasileiros
As sobretaxas do aço e do alumínio foram anunciadas no início de março pelo presidente Trump (Foto: Pixabay)

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O governo brasileiro informou, nesta quarta-feira, 2, que os Estados Unidos decidiram aplicar medidas restritivas à importação do aço e alumínio do Brasil. Anteriormente, na última segunda-feira, 30, os Estados Unidos haviam informado que iriam estender a isenção das tarifas até o dia 1º de junho.

De acordo com uma nota divulgada pelos Ministérios de Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores, “no dia 26 de abril, as autoridades norte-americanas informaram decisão de interromper o processo negociador e de aplicar, imediatamente em relação ao Brasil, as sobretaxas que estavam temporariamente suspensas ou, de forma alternativa e sem possibilidade de negociação adicional, quotas restritivas unilaterais”.

Dessa forma, os representantes do setor de alumínio optaram por encarar as sobretaxas de 10%, acreditando que seria a melhor opção para a economia. Enquanto isso, o setor do aço acredita que as quotas sejam menos restritivas do que a imposição da tarifa de 25%.

Os Estados Unidos são o principal comprador do aço brasileiro. Apenas em 2017, o Brasil exportou 4,7 milhões de tonelada, o equivalente a US$ 2,63 bilhões (cerca de R$ 8,5 bilhões) para o país, quase um terço da venda dos produtos. Apenas o Canadá exportou mais para os EUA, com 5,8 milhões de toneladas exportadas.

Já o setor de alumínio exportou 15% do total vendido para o exterior para os Estados Unidos, cerca de US$ 120,7 milhões. Ainda na nota assinada pelos ministros Marcos Jorge e Aloysio Nunes Ferreira, o Brasil lamentou a atitude dos americanos, afirmando que “eventuais medidas restritivas não seriam necessárias e não se justificariam sob nenhuma ótica”.

“O governo brasileiro mantém a expectativa de que os EUA não prossigam com a aplicação de restrições, preservando os fluxos atuais do comércio bilateral nos setores de aço e alumínio. Em todo caso, seguirá disposto a adotar, nos âmbitos bilateral e multilateral, todas as ações necessárias para preservar seus direitos e interesses”, concluiu a nota.

Sobretaxação

Na última segunda-feira, o governo dos Estados Unidos anunciou que havia entrado em acordos preliminares com o Brasil, Argentina e Austrália, mas, como os detalhes ainda não haviam sido finalizados, a sobretaxação do aço e do alumínio não seria aplicada até então.

Além disso, Canadá e México também estão livres das taxas sobre o aço e alumínio quanto as negociações do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) seguem acontecendo. Países membros da União Europeia (UE) também foram beneficiados pela extensão da isenção. A medida pode indicar que as nações estão mais perto de serem definitivamente excluídas das sobretaxas.

Os países, que já tinham recebido uma isenção de 30 dias enquanto os acordos eram negociados, terão até o próximo dia 1º de junho para firmarem uma parceria com os Estados Unidos. Na lista inicial também constava o nome da Coreia do Sul, mas o governo de Seul já firmou um acordo definitivo com Washington.

“O governo está estendendo as negociações com Canadá, México e União Europeia por 30 dias finais. Em todas estas negociações, o governo se centra em cotas que restrinjam as importações, evitem o transbordamento e protejam a segurança nacional”, informou um comunicado da Casa Branca, segundo noticiou a rede Deutsche Welle.

As sobretaxas do aço e do alumínio foram anunciadas no início de março pelo presidente Donald Trump, e entraram em vigor no dia 23 do mesmo mês. As tarifas passaram de 0,9% para 25%, no caso do aço, e de 2% para 10% para o alumínio. Segundo o presidente americano, as taxas foram aplicadas por motivos de segurança nacional, buscando fomentar a criação de postos de trabalho.

As taxas geraram polêmica mundial, com diferentes países prometendo recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso a decisão de Trump fosse mantida. Até mesmo empresas americanas não concordaram com a ação do presidente. A situação mais delicada se estabeleceu entre os governos da China e dos Estados Unidos. Os chineses, inclusive, prometeram retaliação caso os americanos começassem uma guerra comercial.

A partir de então, os dois países começaram a trocar sobretaxações em cima de diferentes produtos. Além do aço e do alumínio, Trump anunciou novas tarifas sobre aproximadamente 1,3 mil produtos da China, com um plano para obter US$ 60 bilhões. Enquanto isso, os chineses esperam obter US$ 3 bilhões com as mercadorias americanas sobretaxadas.

EUA e UE

A relação entre os Estados Unidos e a União Europeia também ficou abalada diante da possível aplicação das sobretaxas. Na última terça-feira, 1, a Comissão Europeia anunciou que tomou ciência da extensão da isenção, mas garantiu que não vai negociar um acordo com os americanos “sob ameaça”.

“A decisão dos EUA prolonga a incerteza dos mercados, que já está afetando as decisões das empresas. Qualquer futuro programa de trabalho transatlântico tem de ser equilibrado e mutuamente benéfico”, anunciou a instituição que defende os interesses da UE. Para o bloco econômico, 28 Estados-membros devem desfrutar da isenção “plena e permanente”.

A comissária Europeia do Comercio, Cecilia Malmstrom, tem se encontrado com o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, e com o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, nas últimas semanas para negociar um acordo que possa satisfazer ambas as partes. As conversas devem continuar nesse período em que a isenção foi estendida.

O governo da Alemanha também se posicionou contra as sobretaxas, afirmando que a “União Europeia deve estar pronta para defender seus interesses de maneira decidida, nos termos das regras multilaterais de comércio internacional”, segundo informou a Folha de São Paulo.

Estados Unidos e União Europeia são grandes parceiros comerciais há muitos anos, mas os ruídos nas relações podem prejudicar o comércio internacional como um todo. Isso porque as potências representam cerca de um terço do comércio mundial.

 

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Leia também: Entenda a questão das tarifas dos EUA do aço e do alumínio

Fontes:
G1-EUA interrompem negociação e decidem aplicar medidas restritivas sobre aço e alumínio brasileiro, diz governo
Folha de São Paulo-Trump dá ao Brasil mais um mês sem a sobretaxa do aço e anuncia acordo de cota
DW-Brasil mais perto de se livrar de tarifas de Trump

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1 Opinião

  1. carlos alberto martins disse:

    o cérto é governo Brasileiro entrar com medidas restritivas tambem, contra.já pensaram bem se o Brasil parar com a importação de produtos dos Estados Unidos?a economia dos mesmos iria ter a maior dor de cabeça.se ele que arrumar os problemas que tem em sua administração,que não cause outros,prejudicando seu parceiros de livre comércio.

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