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COMÉRCIO INTERNACIONAL

Europa ataca EUA após ameaça de guerra comercial

União Europeia anuncia lista de produtos americanos para sobretaxar, caso os EUA sigam em frente com o plano de sobretaxar aço e alumínio

Europa ataca EUA após ameaça de guerra comercial
Donald Trump tem sofrido críticas de todos os lados, inclusive internamente (Foto: Michael Vadon/Flickr)

A tensão comercial entre os Estados Unidos e a Europa não para de crescer. Após o presidente americano, Donald Trump, ter anunciado que pretende sobretaxar a importação de aço e alumínio, além de criar uma nova taxa sobre carros europeus, a União Europeia (UE) e a Alemanha responderam com tons ameaçadores.

A comissária Europeia de Comércio, Cecília Malmström, revelou que a UE já conta com uma lista provisória de produtos americanos para sobretaxar, caso os Estados Unidos sigam em frente com a criação e aumento das taxas.

De acordo com a rede Bloomberg, entre os produtos que podem sofrer uma taxação extra estão os jeans da Levi’s, suco de laranja, motos da Harley Davidson e uísque tipo Bourbon. Algumas dessas possíveis taxas também afetam o Brasil, que exporta sucos de laranja, sapatos de couro, tabaco e outros produtos para a Europa.

“Uma guerra comercial não tem vencedores e, se isso não acontecer pelo melhor, então podemos trabalhar com nossos amigos norte-americanos e outros aliados sobre a questão central desse problema, o excesso de capacidade. Mas, se isso acontecer, teremos que tomar medidas para proteger os empregos europeus. Ela [a lista] incluiu produtos siderúrgicos, industriais e agrícolas”, afirmou a comissária.

Contradizendo o presidente americano, que afirmou, na última semana, que “guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar”, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu para que todas as partes envolvidas na possível taxação atuem com responsabilidade, lembrando que “guerras comerciais são ruins e fáceis de perder”, uma clara ironia à declaração de Trump.

A Alemanha também se posicionou firmemente contra as afirmações de Trump. A ministra alemã de Economia, Brigitte Zypires, informou, através de um comunicado, que os países europeus vão responder proporcionalmente as atitudes do governo americano.

“Se forem aplicados impostos gerais sobre o alumínio e o aço nos Estados Unidos, isso levará a rupturas no comércio mundial. Se Trump seguir suas palavras com ações, a Europa responderá proporcionalmente. Não é crível que importações de aço da Europa e da Alemanha ponham em perigo a segurança nacional dos EUA. Alguém que fala tanto sobre o comércio justo, como o presidente Trump, não deve buscar métodos tão injustos”.

Além disso, através de uma nota, o Ministério de Economia da Alemanha revelou que, ainda na última semana, os ministros do Comércio da União Europeia se encontraram em Sófia, na Bulgária, para tratar de possíveis contra-medidas às ações americanas. “As medidas protecionistas unilaterais prejudicam a todos, incluindo os próprios EUA. É algo que a própria indústria dos EUA já advertiu publicamente”, afirmou o comunicado.

Culpa de todos

O Partido Verde da Alemanha, por outro lado, não deixou a culpa somente nas ações de Trump, afirmando que a União Europeia, caso se apegue ao “dogma de livre-comércio”, também não ajudará a impedir a possível guerra comercial.

“Não é uma concorrência leal quando nem todas as empresas estão jogando com as mesmas regras. Queremos uma troca justa, e não a UE em primeiro lugar. Isso inclui, entre outras coisas, regras contra a concorrência fiscal injusta e regulamentos globais sobre concorrência leal. Isso é diferente do protecionismo de Trump”, explicaram o líder parlamentar verde, Anton Hofreiter, e a porta-voz da política comercial do partido, Katharina Dröge, através de um comunicado.

Críticas mundiais

O governo americano está sofrendo represálias dentro do seu próprio território com a possibilidade da sobretaxação do aço e do alumínio, que pode ser anunciada ainda nesta quinta-feira, 8. Na última terça-feira, 6, o principal assessor econômico de Trump, Gary Cohn, deixou o governo por não concordar com as ações do presidente americano.

Segundo o portal de notícias europeu Euractiv, a Comissão Europeia está entrando em contato com representantes de outros países de fora do continente que seriam fortemente afetados pela sobretaxação do aço e do alumínio, como Brasil, Japão, Canadá, Turquia, Coreia do Sul e Austrália.

O governo da China também estabeleceu a sua posição contrária as afirmações de Donald Trump. Segundo o porta-voz do plenário da Assembleia Nacional Popular (ANP), Zhang Yesui, a China não ficará imóvel caso os Estados Unidos iniciem uma guerra comercial. “A China não quer uma guerra comercial com os Estados Unidos, mas se os EUA aprovarem ações que danificam os interesses chineses, a China não ficará de braços cruzados e tomará as medidas necessárias”, disse o porta-voz.

Já o Brasil, assim como Turquia e Rússia, foram à Organização Mundial do Comércio (OMC), comandada pelo brasileiro Reinaldo Azevêdo, para se manifestar contra as sobretaxas que os Estados Unidos podem criar. Segundo uma análise da revista Foreign Affairs, a guerra comercial como consequência das ações de Trump pode mergulhar o mundo em uma nova recessão, que afetaria em especial países que, assim como o Brasil, têm nas exportações o carro-chefe de suas economias.

Fontes:
DW-Europa contra-ataca após ameaça de guerra comercial de Trump
O Globo-União Europeia para Trump: 'guerras comerciais são fáceis de perder'
Correio Braziliense-Guerra comercial: retaliação da UE aos EUA afeta exportação no Brasil
Valor Econômico-Brasil e outros países protestam na OMC contra taxas de Trump

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1 Opinião

  1. Aureo Ramos de Souza disse:

    SEREMOS TODOS CONTRA O DOIDO DO TRUMP, mesmo que nasça uma guerra. Que sujeito sem idéia, sem compostura com os outras países.

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