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ECONOMIA

FED aponta que incerteza reduziu o otimismo de empresas nos EUA

Relatório do banco central dos EUA aponta que volatilidade política e comercial reduziu a confiança entre executivos

FED aponta que incerteza reduziu o otimismo de empresas nos EUA
Dados confirmam o ‘clima de angústia’ apontado por Jay Powell, presidente do FED (Foto: Flickr/Federal Reserve)

O setor de negócios dos EUA está se tornando menos otimista em muitas partes do país, por conta da recente volatilidade do mercado financeiro americano, da alta na taxa de juros e da tensão comercial com outros países.

É o que aponta o mais recente Livro Bege, do Federal Reserve (FED), o banco central americano. O Livro Bege é um relatório divulgado oito vezes por ano, sempre duas semanas antes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês). Ele reúne dados de 12 distritos regionais do país, analisados periodicamente pelo FED.

Na edição atual, divulgada na última quarta-feira, 16, o FED constatou que a atividade econômica continua em expansão na maior parte dos EUA. Oito dos 12 distritos analisados reportaram crescimento de “modesto a moderado” e todos eles afirmaram enfrentar dificuldades para encontrar trabalhadores em todos os níveis de qualificação, o que indica um mercado de trabalho aquecido.

No entanto, o relatório – que tem como base informações coletadas desde 7 de janeiro deste ano – acentuou preocupação em relação à perspectiva de crescimento em algumas áreas, por conta da incerteza política e da volatilidade da política externa.

Segundo o Financial Times, o relatório atual ganhou destaque especial por conta da paralisação do governo federal americano, que reduziu o fluxo de dados econômicos oficiais divulgados.

Em Cleveland, companhias reportaram aos oficiais do FED que “a incerteza contínua em relação à política de comércio internacional e a volatilidade dos mercados financeiros podem reduzir a demanda em 2019, e contatos sinalizaram que os gastos dos consumidores estão desacelerando”.

Em Boston, executivos afirmaram que esperam que o crescimento continue em 2019, mas expressaram “reservas significativas”, com o comércio sendo apontado como um fator de risco.

As empresas também relataram aumento nos custos dos insumos, em parte por conta das tarifas aplicadas na guerra comercial, mas deram posições divergentes quando questionadas se sentiam-se confiantes o bastante para repassar tais aumentos para o consumidor.

A mudança de humor no setor de negócios confirma os recentes comentários do presidente do FED, Jay Powell, que em dezembro falou em “clima de angústia” entre executivos, em um comunicado à imprensa para anunciar o aumento na taxa de juros de curto prazo.

O Livro Bege apontou ainda uma desaceleração no crescimento do setor manufatureiro em várias regiões dos EUA, confirmando um cenário observado no setor em várias economias importantes do mundo.

O relatório cita como exemplo Richmond, onde uma “grande parte” de fabricantes relatou um declínio nas atividades nas últimas semanas. “As perspectivas foram notavelmente menos otimistas do que no relatório anterior devido à queda nos preços do petróleo, incerteza política e comercial, taxas de juros mais altas e volatilidade do mercado acionário”, diz o relatório.

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