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Federal Reserve aprova situação de maioria dos bancos

Dos 19 maiores bancos norte-americanos, apenas quatro, incluindo o Citibank, não passaram no 'teste de estresse'

Federal Reserve aprova situação de maioria dos bancos
O Citibank foi um dos bancos reprovados pelo Federal Reserve (Reprodução/Getty)

Grandes bancos norte-americanos poderão devolver dinheiro a seus acionistas após o Federal Reserve (o banco central norte-americano) ter divulgado os resultados de “testes de estresse” referentes a 19 grupos financeiros, demonstrando que todos, exceto quatro – incluindo o Citigroup – foram aprovados.

Os resultados do teste, cuja divulgação foi adiantada dois dias após o FED afirmar estar preocupado com o vazamento de informações, provocou um frenesi no mercado de ações de bancos norte-americanos. O índice financeiro S&P aumentou em 3,9% e experimenta agora uma alta de 18% no ano, com o JPMorgan Chase, Wells Fargo e Bank of America liderando o grupo. As ações do Citigroup aumentaram 6,3% antes do fechamento do mercado, mas caíram 4% após o tempo regulamentar, à medida que ficou claro que o banco havia sido reprovado no teste.

A decisão de terça-feira, 13, do FED é uma decepção para o CitiGroup, que conta com um portfólio de mais de 400 mil correntistas no Brasil. O banco havia prometido elevar seus dividendos além do simbólico US$ 0,01 por ação pela primeira vez após o quase colapso durante a crise financeira. “Nós pretendemos avançar com alguma potência em 2012”, dissera Dick Parsons, presidente do Citi, ao Financial Times na sexta-feira passada, 9. Entretanto, o Citi disse na terça-feira, 13, após ter sido reprovado por pouco no teste, que planejava apresentar um novo plano de capital ao Fed, o que poderia preparar o terreno para novos pagamentos posteriores.

A maior parte dos 19 maiores bancos norte-americanos foram autorizados a distribuir mais capital a seus acionistas na forma de dividendos e recompra de ações. O JP Morgan anunciou que recompraria US$ 15 bilhões de suas ações, mais do que o esperado por analistas do mercado, e aumentaria a sua distribuição de dividendos. O Wells Fargo anunciou que os seus dividendos quase dobrariam.

O Bank of America, que teve a sua reputação maculada no ano passado após o seu plano de pagamento de dividendos ter sido vetado, passou no teste, mas não pediu permissão para aumentar os pagamentos. Além do Citi, MetLife, SunTrust e Ally Financial não puderam comprovar que suas taxas de capital ficariam acima dos 5 por cento de ativos proporcionais aos riscos requeridos pelo Fed em caso de um “cenário de estresse”.

O Fed disse aos grandes bancos que avaliassem como seus balanços contábeis se comportariam face à uma severa recessão global, incluindo uma taxa de desemprego de 13%, uma queda acentuada nos mercados de ações e imobiliários, e o tipo de “choque de mercado” que poderia ser causado por um banco europeu insolvente. Somente se demonstrassem que o nível de seu capital permaneceria acima de 5% de ativos proporcionais aos riscos, os bancos poderiam  aumentar o pagamento de dividendos a seus acionistas.

Com muitos bancos pelo mundo empenhados em aumentar os níveis de capital, a decisão do Fed de permitir uma distribuição mais ampla entre os grupos norte-americanos é controversa. Alguns acadêmicos argumentam que os dividendos não deveriam ser aumentados até que os bancos tenham atingido os novos e mais rigorosos níveis de capital prescritos por reguladores internacionais mediante o acordo Basel III.

“Independentemente do resultado destes testes de estresse, é equivocado distribuir dividendos, ponto final”, afirmou Anat Admati, professor da Universidade de Stanford. “Os bancos querem, mas isso não basta como justificativa.” Entretanto os especialistas do FED acreditam que os testes são severos o suficiente e que apenas aos bancos saudáveis o bastante será permitido distribuir capital aos acionistas.

Entretanto, tanto o Goldman Sachs quando o Morgan Stanley, dois dos bancos mais focados em “trading” incluídos no grupo do teste de estresse, disseram que o Fed aprovou os seus planos de capital.

Para o Goldman os planos incluem a recompra de ações ordinárias e um “potencial incremento” nos dividendos trimestrais. Para o Morgan Stanley, estes incluem “a potencial aquisição em dinheiro de 14% adicionais do Morgan Stanley Smith Barney”, mas não o aumento de dividendos ou recompra de ações.

Steven Kandarian, o executivo-chefe da MetLife, criticou o Fed por ter usado “medidas banco-cêntricas”, as quais ele afirma ser inadequadas para seguradoras. O MetLife havia requisitado a aprovação para a recompra de US$ 2 bilhões em ações e um aumento em seus dividendos de US$ 0,74 por ação para US$ 1,10.

A companhia disse que “continua caminhando na direção certa” para deixar de ser uma holding bancária no segundo trimestre.

O aumento nas ações de bancos contribuiu para impelir a subida de 1,8% do S&P 500, o maior aumento em um dia desde o fim de novembro

 

Fontes:
Financial Times - Banks shored up by stress test success

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