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Finanças pessoais: gurus assombrosos

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Finanças pessoais: gurus assombrosos
Você já conheceu alguém que ficou rico apenas economizando dinheiro? (Fonte: Reprodução/The Economist)

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Pound Foolish: Exposing the Dark Side of the Personal Finance Industry. Helaine Olen. 292 páginas

Market Sense and Nonsense: How the Markets Really Work (and How They Don’t). Jack Schwager. 343 páginas

Você já conheceu alguém que ficou rico apenas economizando dinheiro? Provavelmente não, mas é possível que você tenha conhecido alguém que tenha ficado rico apenas tomando conta das economias de outras pessoas. Este segredo sujo se encontra no coração de “Pound Foolish”, o ótimo livro de Helaine Olen, uma devassa inclemente do setor de finanças pessoais americano.

Com uma lógica fria, Olen, que é jornalista, demonstra que boa parte dos conselhos dados por gurus do enriquecimento em livros ou na televisão ou é vago ou se baseia em presunções ridiculamente otimistas acerca do retorno de investimentos.

A recusa dos consumidores em pagar por aconselhamento fez com o que o setor fosse capturado por conselheiros apelativos e estridentes. A Grã-Bretanha recentemente reformou seus sistema de pagamento por aconselhamento financeiro e, se o livro de Olen tem um defeito, este é a ausência de uma perspectiva internacional que ofereça exemplos como esse.

Mas Olen está certíssima em relação ao maior problema negligenciado por gurus de finanças pessoais; pessoas que ganham US$ 2 mil por ano têm dificuldades para pagar por suas necessidades básicas e simplesmente não terão como economizar a ponto de ter uma vida confortável, muito menos rica. Conforme conclui Olen, “não vivemos em um ambiente econômico que permitirá o progresso em massa das finanças pessoais, independentemente de quão bom seja o aconselhamento ou assessoria”.

Assim como Olen, o livro mais recente de Jack Schwager, mais conhecido por seus livros “Market Wizards”, baseados em entrevistas com corretores e gestores de fundos, critica os conselheiros televisivos do mercado de ações. Uma análise de quatro anos das recomendações de ações feitas por Jim Cramer, estrela do programa “Mad Money”, da CNBC, revela que, embora as ações tenham subido no dia em que ele as mencionou, elas tiveram um desempenho abaixo do nível médio do mercado em períodos mais longos. Os especialistas consultados por Louis Rukeyser em “Wall Street Week” (um programa da televisão pública) se revelou uma contraindicação quase perfeita; eles estavam extremamente otimistas em dezembro de 1999, no auge da bolha das empresas de internet.

Estranhamente, este livro em seguida parte para uma direção diferente — uma longa descrição e defesa do setor de fundos de hedge. Schwager demonstra que os fundos de hedge são menos arriscados que a maioria dos fundos de ações, mas não encara a questão central de fato, isto é, a de que as taxas cobradas por esses fundos são altas demais para o retorno que oferecem.

Fontes:
The Economist - Personal finance: Ghastly gurus

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