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Adeus, França

França corre risco de sofrer esvaziamento de empresas

O novo governo socialista da França está embarcando em uma série de experimentos empresariais arriscados

França corre risco de sofrer esvaziamento de empresas
Empresários ameaçam transferir empresas para outros países (Reprodução/The Economist)

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Após a última vez que os socialistas franceses chegaram ao poder, em 1981 sob François Mitterand, o governo teve um acesso de estatização, reapropriando 86 bancos e diversos grupos industriais, só para posteriormente abandonar a prática silenciosamente e até mesmo reprivatizar algumas empresas. Não é surpresa então que os grandes empresários franceses receberam a eleição de François Hollande como presidente com algo além de um frisson ou de um pressentimento. O que os socialistas farão desta vez?

A resposta é que Hollande parece querer interromper as forças da destruição criativa de modo a conservar a paisagem empresarial do país em formol. Mesmo antes das eleições parlamentares em 17 de junho, na qual os socialistas conquistaram uma maioria, a retórica contra o  fechamento de fábrica já estava elevando o tom. Arnaud Montebourg, um político de esquerda que agora é ministro da “recuperação produtiva”, lutou duramente contra os fechamentos durante a campanha. Quando a Lejaby, uma marca de lingerie, fez planos para fechar a sua última fábrica na França e transferir a produção para a Tunísia, ele manifestou apoio ao soutiã tricolor (no fim a LVMH, um grupo de produtos de luxo, resgatou a fábrica de sutiãs). Ele também quer impedir que as empresas se mudem dentro da França. Ele protestou sonoramente quando a Kawan Villages, uma operadora de campings que passa por dificuldades, tentou recentemente transferir suas barracas e empregados da Borgonha para o sudoeste.

Agora o governo está indo além da retórica. Michel Sapin, o ministro do trabalho, prometeu fazer com que as empresas precisem pagar tão caro para demitir trabalhadores a ponto de tornar uma demissão inviável. As empresas que estejam distribuindo dividendos e demitam funcionários poderão ser penalizadas. Outro ardil planejado é forçar as empresas a vender suas fábricas, presumivelmente junto com as linhas de produtos que produzem, para competidores, em vez de fechá-las.

Mas o governo vai ter que batalhar para conter as forças do mercado. É improvável que os socialistas logrem muito sucesso em impedir a destruição de empregos, mas eles podem ter bastante sucesso, ainda que involuntariamente, em desencorajar a criação de empregos. Entre as promessas de campanha mais populares do governo estava a de taxar rendas superiores a €1 milhão a uma taxa marginal de 75%. As consequências prováveis serão muito menos admiráveis. Algumas empresas grandes abandonarão a França ou transferirão a administração para um país estrangeiro de modo a proteger seus executivos contra o imposto. Isso fará com que elas contratem mais no exterior do que na França. Uma nova taxa sobre dividendos irritou ainda mais o mundo empresarial. Paris está repleta de rumores sobre partidas apressadas.

Mas o imposto não é a única ameaça à remuneração executiva. Na semana passada, Pierre Moscovici, o ministro das finanças, anunciou que o pagamento para presidentes de empresas cujas ações estão em sua maioria na mão do estado Francês terá um teto de € 450.00, ou aproximadamente 20 vezes o salário do trabalhador com o menor ordenado. O experimento francês sem dúvida será observado com interesse pelos países ricos. Em alguns casos, tal medida gerará uma diminuição de salário de 70%. Ao longo do tempo, a qualidade da administração nessas firmas estatais, que haviam se profissionalizado na década passada, certamente será prejudicada.

Fontes:
The Economist-Adieu, la france

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