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Frigoríficos podem ser a chave para um resgate econômico

Brasil deve começar a exportar carne fresca para os EUA em agosto, o que deve abrir outros mercados para produtores brasileiros

Frigoríficos podem ser a chave para um resgate econômico
O Brasil já é o maior produtor de carne bovina do mundo e o segundo maior exportador (Foto: Pixabay)

A ideia de que a economia brasileira é muito dependente de commodities está ganhando proeminência, graças à desaceleração da demanda chinesa e a uma recuperação europeia mais lenta do que a esperada. No ano passado, o preço da soja caiu mais de um terço, o petróleo bruto Brent mais de 40% e minério de ferro quase pela metade.

De acordo com uma reportagem especial publicada no Financial Times, uma das áreas em que o Brasil já é líder, mas onde pode fortalecer ainda mais sua posição, é na exportação de carne. O Brasil já é o maior produtor de carne bovina do mundo e o segundo maior exportador. A demanda global por dietas mais ricas em proteína está crescendo como resultado da urbanização e do aumento da renda.

O Brasil é lar de algumas das maiores empresas de alimentos do mundo, cujos produtos incluem carne, mas também pratos prontos e pizzas. Entre elas estão a maior produtora de proteína do mundo, a JBS, a Marfrig e a BRF, que vende as margarinas Claybom e Qualy, as marcas preferidas por quase a metade dos brasileiros.

O Brasil tem vantagens distintas no setor da carne, explica Cesar de Castro Alves, analista da MB Agro, uma consultoria. “O know-how é bem desenvolvido e a capacidade instalada é alta”, diz ele, enquanto o acesso do Brasil à ração barata para porcos e galinhas mantém os custos de produção baixos.

Há, porém, problemas de longo prazo. Enquanto o Brasil tem acesso à ração relativamente barata, as exportações perdem competitividade por causa de uma logística pobre, bem como o fato de que grande parte da produção de carne ocorre em locais remotos a milhares de quilômetros dos portos. Uma greve de caminhoneiros em fevereiro, por exemplo, prejudicou as exportações da indústria.

Adolfo Fontes, um especialista em agronegócio do Rabobank, um banco holandês, também aponta para problemas de produtividade no setor da carne devido ao pasto de baixa qualidade e à falta de suplementos alimentares.

“No Brasil, o gado leva 36 meses para amadurecer; nos EUA são 18 a 24 meses”, diz Fontes.

Além disso o Brasil não pode exportar carne in natura para os EUA, embora as negociações estejam em curso há algum tempo para permitir que isso aconteça. Isso poderia transformar a indústria brasileira por causa do impacto sobre as exportações em outros lugares.

De acordo com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, os produtores brasileiros poderão começar a exportar carne fresca para os EUA já em agosto deste ano.

“Ter um visto para os EUA em nosso passaporte” iria aumentar o nosso poder de barganha com [outros mercados], como o Canadá, México e Coreia do Sul “, diz Fontes. Estes mercados seguem os protocolos sanitários dos EUA.

 

Fontes:
Financial Times - Meat production could be the answer for Brazil
Exame - Brasil inicia comércio de carne in natura aos EUA em agosto

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