Início » Economia » Fusões e aquisições: as novas regras da ‘atração’ empresarial
negócios

Fusões e aquisições: as novas regras da ‘atração’ empresarial

A associação de duas empresas pode diminuir os custos indiretos, aumentando a margem de lucro

Fusões e aquisições: as novas regras da ‘atração’ empresarial
Operações de fusões e aquisições tiveram um aumento expressivo depois da recessão (Reprodução/Getty)

As operações de fusões e aquisições (F&A) tiveram um aumento expressivo depois da recessão causada pela crise financeira mundial. Os negócios no mundo inteiro movimentaram $3.6 trilhões em 2014, como registrou a Bloomberg, um resultado próximo ao auge das operações em 2007. No setor farmacêutico e na mídia a atividade é intensa. Negócios de mais de $10 bilhões são mais uma vez comuns.

A longa experiência com a volatilidade do crescimento rápido e acentuado e queda do volume de negócios em F&A deixou os investidores cautelosos. Administradores de fundos de investimento experientes e acadêmicos dizem que os negócios satisfazem a vaidade dos executivos e enriquecem os banqueiros, mas prejudicam os acionistas. Como um reflexo dessa preocupação, quando uma empresa anuncia uma aquisição suas ações tendem a cair, porque os investidores julgam que o prêmio pago excederá os benefícios resultantes das sinergias dessa transação. No entanto, desde 2012 os preços das ações das empresas compradoras têm se mantido estáveis ou subiram, de acordo com a empresa de consultoria McKinsey. Esse fato suscita uma pergunta intrigante e perigosa. Será que desta vez poderia ser diferente?

Em tese, as operações de fusão e aquisição fazem sentido. A associação de duas empresas pode diminuir os custos indiretos, aumentando a margem de lucro. Algumas das empresas mais bem-sucedidas no mundo são resultado de acordos corporativos gigantescos. A Exxon, uma empresa multinacional de petróleo e gás, ocupa hoje a primeira posição no ranking mundial das empresas com maior valor de mercado, graças à sua aquisição em 1999 pela Mobil, que sofrera uma depreciação de seus ativos no mercado global. AB Inbev movimentou $100 bilhões em acordos de fusão e aquisição nas últimas duas décadas e, atualmente, é a maior cervejaria do mundo em termos de volume de produção, com vendas de bilhões de litros.

Apesar da reputação negativa das operações de F&A, muitos negócios criam valor, pelo menos em curto prazo: desde o ano 2000 o mercado de capitalização de empresas envolvidas com operações de aquisição e fusão aumenta quando os acordos são anunciados. Mas, com frequência, mais de 100% dos lucros provêm dos acionistas da empresa adquirida. Em geral, o comprador paga mais do que o preço estipulado pelas sinergias da oferta, exagera ou superestima essas sinergias para justificar o negócio, ou comete uma falha crítica na integração subsequente das organizações. As operações de fusão e aquisição são cíclicas e os negócios podem ter consequências desastrosas nesses acordos.

Fontes:
The Economist-The new rules of attraction

1 Opinião

  1. Joma Bastos disse:

    E o desemprego aumenta.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *