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EMPRÉSTIMO DE R$ 15 BILHÕES

Governo estuda alternativas de socorro à Caixa, diz Meirelles

Em programa de TV, ministro da Fazenda conta que governo avalia fazer operação de socorro financeiro sem mover recursos do FGTS

Governo estuda alternativas de socorro à Caixa, diz Meirelles
Segundo Meirelles, crise da Caixa não põe em risco apoio político da base aliada (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Mesmo diante de uma crise envolvendo vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, o governo deve manter a operação de capitalização do banco e já estuda alternativas. Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estão sendo discutidas formas de garantir que a operação, orçada em bilhões de reais, ocorra.

A princípio, o governo moveria R$ 15 bilhões do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS) para socorrer o banco estatal. Entretanto, o ministro indicou que o governo já avalia fazer a movimentação a partir de outras fontes, sem usar recursos do FGTS.

“Teremos a discussão disso nos próximos dias. Estamos discutindo várias alternativas no Conselho de Administração da Caixa. As discussões estão indo bem e talvez nem seja preciso entrar nessa questão do FGTS. Caso seja necessário (usar o FGTS) isso será trazido a mim e vou analisar o uso correto dos recursos e também a questão jurídica. Só aprovaremos se for uma operação sem riscos. Não há necessidade de assumir nenhum risco”, disse Meirelles no programa Canal Livre, do canal de TV Bandeirantes.

Entre as opções avaliadas pelo governo estão a distribuição de dividendos da União e a cessão de carteiras da Caixa para outras instituições. Segundo Meirelles, com a capitalização, o banco conseguirá cumprir as regras bancárias internacionais e recuperará a capacidade de fornecer crédito imobiliário. “Estamos trabalhando uma série de frentes e vamos viabilizar a capacidade da caixa para continuar emprestando onde deve, que é construir moradia para a população”, disse o ministro.

Indicações e apoio político

Ainda que a decisão do presidente Michel Temer de afastar quatro vice-presidentes, acusados de suspeita de corrupção e outras irregularidades, tenha desagradado alguns parlamentares da base aliada, o sistema de indicações de cargos na Caixa deve ser mantido. Segundo auxiliares do presidente ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo, as nomeações serão mantidas para evitar atritos políticos.

O argumento é que partidos como PP, PR, PRB e MDB precisam se sentir contemplados com cargos para manter a base aliada coesa. Isso garantiria o apoio necessário para a aprovação da reforma da Previdência, com votação marcada para o dia 19 de fevereiro. Segundo Meirelles, o afastamento de quatro vice-presidentes da instituição não tem potencial para reduzir o apoio à reforma da Previdência.

Entretanto, há uma barreira que pode diminuir o papel dos partidos na escolha dos cargos: o novo estatuto da Caixa, que será votado nesta sexta-feira, 19. A expectativa é que o estatuto dê o poder de nomear e exonerar dirigentes ao Conselho de Administração do banco, dificultando a vida da base aliada.

Vice-presidentes terão aumento no salário

Mesmo com a polêmica envolvendo os dirigentes da Caixa, o banco prevê aumentar o salário de seus 12 vice-presidentes em 2018. O plano daria um reajuste de 37% nos vencimentos anuais.

Se acumulados os limites máximos dos honorários, mais ganhos por metas e desempenho pessoal – que são variáveis – e benefícios, o salário de cada um pode chegar a R$ 87.398,94 mensais, enquanto o rendimento anterior era de R$ 63.548,63. Em termos comparativos, o último reajuste dos bancários foi de 2,75%, um pouco abaixo da inflação do ano passado, de 2,95%.

O banco prevê gastar R$ 12,5 milhões com salários e benefícios dos executivos entre abril de 2017 e março de 2018 – no período anterior, os vices receberam R$ 9,1 milhões. O reajuste foi aprovado na assembleia geral do banco, em 14 de dezembro do ano passado.

Fontes:
O Globo-Governo já estuda recapitalizar Caixa sem recursos do FGTS, diz Meirelles
Folha de S. Paulo-Para ala política do governo, Caixa deve manter indicações
Estado de S, Paulo-Caixa prevê aumento de 37% no salário anual de vice-presidentes

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