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ELEIÇÕES GREGAS

Grécia tenta encerrar fase populista no país

Eleição do novo primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, foi saudada como uma derrota do populismo, num país que viveu uma das maiores crises da zona do euro

Grécia tenta encerrar fase populista no país
No entanto, ainda há muitos desafios no caminho para a retomada do crescimento (Foto: Facebook/Kyriakos Mitsotakis)

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O novo primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, do partido conservador Nova Democracia tomou posse em 8 de julho. A vitória de Mitsotakis foi saudada por analistas em todo o mundo como uma derrota do populismo e uma possível retomada da estabilidade financeira e do crescimento econômico. Mas em um país que enfrentou uma das piores crises financeiras da zona do euro a partir de 2009, os desafios são muitos.

“É um excelente resultado para Mitsotakis. Seu partido é majoritário no Parlamento, o que fortalece sua posição para propor e aprovar ideias econômicas mais liberais. Porém, não será uma tarefa fácil”, disse Yiannis Mouzakis, coeditor do site de economia MacroPolis.

O novo primeiro-ministro prometeu cumprir as metas de campanha de reduzir impostos e atrair investimentos estrangeiros, mas a concretização desses objetivos depende da aprovação dos credores internacionais da dívida grega.

Mitsotakis, cujo pai Konstantinos foi primeiro-ministro da Grécia no início da década de 1990, é um político de centro-direita, porém muitos membros de seu partido defendem uma política mais nacionalista para o país e têm relações estreitas com a Igreja Ortodoxa. Além disso, uma grande parte do povo grego culpa o partido Nova Democracia pela administração financeira desastrosa, que causou o colapso econômico do país em 2009.  

Em entrevista ao jornal Independent, Aris Hatzis, professor de filosofia e Direito na Universidade de Atenas, observou que a modernização do partido Nova Democracia será um dos principais desafios do governo de Mitsotakis. “Mas o novo gabinete é composto de pessoas com um pensamento mais liberal e que apoiam a economia de livre mercado”, disse ele.

Além do desafio de mudar a imagem do partido e de estabilizar a economia, Mitsotakis enfrentará a oposição do partido de esquerda Syriza, no governo desde 2015. Contrariando as expectativas, o Syriza obteve 31,53% dos votos, em comparação com 39,85% da Nova Democracia, o que lhe confere poder no Parlamento.

O ex-primeiro-ministro Alexis Tsipris continuará à frente do partido e, na opinião de Hatzis, ele retomará as táticas oportunistas usadas como líder do movimento de oposição antes de 2015. No entanto, terá como opositor ferrenho o antigo ministro das Finanças de seu governo, Yanis Varoufakis, líder da pequena legenda MeRa25, que com 4,44% dos votos elegeu nove deputados para o Parlamento.

Antes o terceiro maior partido no Parlamento, a legenda neonazista Aurora Dourada não conseguiu eleger deputados nessas eleições gerais. Porém, esse fracasso, segundo analistas, não significou o enfraquecimento das ideias da extrema-direita, como comprovado pela conquista de dez cadeiras no Parlamento pelo partido ultranacionalista Solução Grega. Seu líder, o apresentador de televisão Kyriakos Velopoulos, um fanático por teorias da conspiração, vangloria-se de já ter vendido cartas manuscritas de Jesus Cristo em seu programa de TV.

Apesar de ser um político liberal e anti-populista, Mitsotakis conquistou os votos de eleitores da extrema-direita com um discurso anti-imigração e com um apelo à insatisfação popular em decorrência do acordo aprovado pelo governo do primeiro-ministro Tsipris com a República da Macedônia. O acordo encerrou as disputas em torno do uso do topônimo Macedônia, um território da Grécia, pelo país dos Bálcãs, que passou a se denominar República da Macedônia do Norte.

 “Mitsotakis é um político de centro-direita, mas essa não é a posição de consenso de muitos membros de seu partido”, observou Daphne Halikiopoulou, professora de ciência política na Universidade de Reading e especialista em movimentos políticos de extrema-direita.

“A recessão e a desilusão com a política nos últimos dez anos deixou marcas profundas no povo grego. Ainda é cedo para comemorar o sucesso do governo de Mitsotakis”, acrescentou Halikiopoulou

Fontes:
The Independent-Greece election: New prime minister faces uphill battle as country grapples with economic crisis, disillusionment and far-right

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