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ELEIÇÕES ARGENTINAS

Guedes admite saída do Brasil do Mercosul com eleição de Kirchner

Ministro da Economia diz que Brasil pode sair do Mercosul caso a chapa kirchnerista vença e apresente resistência à abertura econômica do bloco

Guedes admite saída do Brasil do Mercosul com eleição de Kirchner
Segundo Guedes, saída do Brasil depende de posicionamento da chapa kirchnerista (Foto: Flickr/Ministério da Economia)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, na noite da última quinta-feira, 15, que o Brasil pode deixar o Mercosul caso a chapa composta pelo presidenciável Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, vença as eleições de outubro.

Segundo Guedes, tudo vai depender do posicionamento do presidenciável Alberto Fernández em relação à Economia.

“Se vence o [Mauricio] Macri, o Bolsonaro se dá bem com ele e os dois se dão bem com o [Donald] Trump. Então, tudo caminha em alta velocidade. Se der errado, der o outro lado? A pergunta é simples. Nós vamos continuar abrindo. Vocês [Argentina] também? Se não vão, então tchau. A gente sai fora do Mercosul e vamos embora. Acho que vamos ser muito práticos. E não tememos o efeito disso. O Brasil precisa retomar sua dinâmica de crescimento”, afirmou Guedes.

A declaração do ministro foi feita na cerimônia de encerramento do Seminário sobre Gás Natural do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), ocorrida no Rio de Janeiro. No último final de semana, as primárias das eleições argentinas mostraram uma larga vantagem para a chapa Fernández-Kirchner frente à tentativa de reeleição de Macri. Na ocasião, Fernández recebeu 47% dos votos, enquanto Macri somou apenas 32%.

As eleições argentinas ocorrem apenas no dia 27 de outubro, no entanto, caso o cenário atual se mantenha, Fernández e Kirchner serão eleitos sem a necessidade de segundo turno. Na Argentina, quando um presidenciável soma mais de 45% dos votos, não há necessidade para um segundo turno.

“Se Kirchner quiser entrar e fechar a economia deles? Se quiser fechar, a gente sai do Mercosul. Se ela quiser ficar aberta? Beleza, continuamos. O Brasil é uma economia continental. Temos que recuperar a nossa economia”, reafirmou Guedes na tarde da última quinta-feira, durante um evento do Banco Santander, em São Paulo, diante de empresários e investidores.

Essa não foi a primeira vez que o ministro Paulo Guedes mostrou contrariedade em relação ao Mercosul. No fim de outubro de 2018, poucos dias após Jair Bolsonaro ser eleito, o economista destacou que o Mercosul “não é prioridade”.

Apoio de Bolsonaro

Já nesta sexta-feira, 16, o presidente Jair Bolsonaro reforçou as afirmações de Guedes, destacando seu alinhamento com o pensamento econômico do ministro. Bolsonaro lembrou a visita de Fernández ao ex-presidente Lula na prisão, além da proximidade de Kirchner com o PT.

“O atual candidato que está na frente na Argentina, que tem na vice a Cristina Kirchner, já esteve visitando o Lula, já falou que é uma injustiça o Lula estar preso, já falou que quer rever o Mercosul. Então o Paulo Guedes — perfeitamente afinado comigo, por telepatia — já falou: ‘se criar problema, o Brasil sai do Mercosul’. Está avalizado, sem problema nenhum. […] Eu não acredito que ele [Fernández] queira seguir nessa linha de liberdade e democracia. Esse pessoal quando se apodera do poder, não quer sair mais. E sempre vivendo às custas da coisa pública”, afirmou Bolsonaro.

No entanto, o presidente garantiu que estará aberto ao diálogo, desde que Fernández acene ao Brasil. “Eu converso até com a Folha de S.Paulo, quem dirá com o futuro presidente da Argentina”, destacou Bolsonaro, que relembrou a queda da bolsa da Argentina após o resultado das primárias eleitorais. Para o chefe de Estado, o Rio Grande do Sul pode receber milhares de argentinos, caso a chapa Fernández-Kirchner vença, assim como ocorreu com Roraima devido à situação na Venezuela.

Momento econômico

Após o seminário no Rio de Janeiro, Guedes conversou com jornalistas sobre o momento econômico mundial. De acordo com o ministro da Economia, o Brasil não precisa se preocupar com possíveis crises econômicas internacionais se o dever de casa for bem feito. Guedes minimizou os possíveis efeitos do aumento do dólar, garantindo que o Brasil está preparado para lidar com o dólar a mais de R$ 4.

“Se há uma momento favorável lá de fora, valoriza o câmbio, mas em compensação você vende menos móveis, têxteis. O Brasil foi até desindustrializado mais rapidamente durante o período em que o câmbio se valorizou. Agora pode ser contrário. O mundo pode desacelerar e nós podemos acelerar. De repente, com energia barata e um câmbio um pouco mais alto, você vai reindustrializar autopeças, móveis, sapatos, indústria têxtil. Não devemos temer o efeito contágio. O Brasil tem uma dinâmica própria como poucos países: os Estados Unidos, a China, a Índia”, apontou o ministro.

Para Guedes, a política econômica adotada pelo Brasil, de abertura de mercado, tornou o país mais disputado. “Todo mundo está fechando para balanço e nós somos a única moça da festa disponível para dançar. Então todo mundo quer dançar com a gente”, disso o ministro.

Leia também: O que está em jogo nas eleições argentinas?

Fontes:
DW-Guedes diz que Brasil pode deixar Mercosul se kirchnerismo voltar ao poder
Agência Brasil-Guedes: Brasil sai do Mercosul se Argentina frear abertura do bloco
Reuters-Bolsonaro avaliza declaração de Guedes sobre saída do Mercosul se Argentina fechar economia

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3 Opiniões

  1. DINARTE DA COSTA PASSOS disse:

    Essa declaração é irresponsável por que causa ingerência nos assuntos internos de nação “Soberana”. Isso mostra um despreparo muito grande desta equipe de governo. Estadistas nem um pouco! Mas jumento são bastante.

    NO FINAL DESTE GOVERNO A POLÍTICA EXTERNA ESTARÁ ARRUINADA DE UMA CERTA FORMA QUE VAI DAR MUITO TRABALHO PARA UM PRESIDENTE DE VERDADE CORRIGIR ESTES ERROS DIPLOMÁTICOS.

    JÁ QUE NÃO TEM COMPETÊNCIA DEVIA RENUNCIAR. TALVEZ O MOURÃO TENHA MAIS CAPACIDADE PARA GERIR O BRASIL!

  2. Roberto Henry Ebelt disse:

    Lamentável a Argentina ter que chorar novamente nos braços do falido assistencialismo peronista. Por outro lado, não temos desocupados, ladrões e malandros chorando em frente à cadeia que abriga o maior ladrão que o país, quiçá, a América Latina já teve?

  3. Pedro Evandro Montini disse:

    Ele está certíssimo. Se o novo governo começar a sabotar a abertura do Mercosul, será mais inteligente o Brasil abandonar esse grupo falido e buscar acordos com o resto do mundo, como fez o Chile. O país não pode mais ficar preso a estruturas fracassadas.

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