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IMBRÓGLIO JUDICIAL

Heineken ameaça fechar fábricas no Nordeste

Cervejaria enfrenta um grande imbróglio judicial em Pernambuco, que já gerou prejuízos de R$ 90 milhões

Heineken ameaça fechar fábricas no Nordeste
A Heineken enfrenta problemas judiciais desde que comprou a Brasil Kirin (Foto: Pixabay)

A Heineken já admite fechar duas fábricas em Pernambuco por causa de problemas judiciais. A informação foi passada pela vice-presidente de assuntos corporativos da companhia, Nelcina Tropardi, ao jornal Valor Econômico. 

“Estamos estudando fechar as duas fábricas de Pernambuco. Já comunicamos isso ao governo. A operação no Estado, no último ano, acumula prejuízo de R$ 90 milhões”, afirmou a executiva ao jornal. A Heineken prefere não fechar as fábricas, mas seria uma medida para lidar com o prejuízo acumulado.

A Heineken enfrenta problemas judiciais no Nordeste do Brasil desde que comprou a Brasil Kirin. Na época, graças à aquisição a cervejaria dobrou de tamanho, aumentando a capacidade de produção de 20 milhões de hectolitros para 50 milhões de hectolitros. No entanto, a companhia também adquiriu empecilhos judiciais, que já existem há anos.

Isso porque, em Pernambuco, a Heineken está encarando decisões judiciais que limitaram seus preços, deixando-os “absurdamente baixos”. Caso as fábricas sejam fechadas, é provável que a Heineken – que conta com 15 fábricas no Brasil – não consiga suprir a falta de produção dessas unidades.

Em Pernambuco, o problema da Heineken é com a distribuidora Mediterrânea, que tem como única atividade a distribuição da cerveja na região norte de Recife e na Paraíba. Isso porque, em 2015, a dona da distribuidora, Luciana Hazin, entrou com um pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas – a maior credora é a Heineken com cerca de R$ 50 milhões de crédito.

A partir daí, uma intensa disputa judicial se estabeleceu, com a derrota da Heineken em diferentes esferas da Justiça brasileira. Por um breve momento, a companhia conseguiu um fôlego, ao entrar com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o mesmo foi rapidamente revogado, pois as instâncias estaduais ainda não tinham sido completamente esgotadas.

Dessa forma, a Heineken já não contesta mais a manutenção do contrato com a Mediterrânea, mas não concorda com a tabela de preço estabelecida pelo desembargador Stênio Coelho, do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Isso porque a cervejaria chegou a ser obrigada a vender latas de 473 ml por R$ 0,33 à Mediterrânea.

Mas não são apenas as fábricas de Pernambuco que enfrentam problemas. Na Bahia, a fábrica de Alagoinhas, a principal unidade da Heineken no Brasil, também enfrenta empecilhos. Isso porque um processo judicial que já dura 20 anos, envolvendo denúncias de irregularidades ambientais e fiscais, também aumenta a pressão contra a cervejaria na região Nordeste do país.

 

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Fontes:
Valor Econômico-Sob pressão, Heineken ameaça fechar fábricas

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2 Opiniões

  1. Ivan Junior disse:

    Mais uma vez a intervenção estatal em todas as esferas ameaça destruir empregos em nome de seus ideais utópicos. Até quando teremos pessoas imbecis tomando decisões sem medir as consequências. O nordeste precisa de mais indústria, mais investimentos e mais empregos. Ações como essa da justiça são um dos empecilhos para o progresso desse pais.

  2. Aureo Ramos de Souza disse:

    Pode fechar, a mim não fará falta.

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