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CRISE ECONÔMICA

Hiperinflação custa caro ao Sudão do Sul

Fome, guerra civil e incompetência agravam cada vez mais a crise econômica no Sudão do Sul

Hiperinflação custa caro ao Sudão do Sul
A inflação elevada no Sudão do Sul é resultado da emissão de dinheiro e do colapso econômico (Foto: Wikimedia)

Mesmo nos melhores restaurantes em Juba, a capital do Sudão do Sul, o mais novo país do mundo, os cardápios são impressos em papel barato. Não vale a pena usar um papel mais caro, porque os cardápios precisam ser atualizados quase todas as semanas. Com uma taxa de inflação de mais de 50% por mês no ano passado, um índice extremamente elevado característico da hiperinflação, embora a alta de preços tenha diminuído um pouco desde então, até uma refeição modesta custa caríssimo.

No ano passado, o valor da libra sul-sudanesa teve uma queda acentuada. Antes 30 libras sul-sudanesas valiam um dólar; com a desvalorização da moeda, um dólar corresponde a 120 libras. A nota de SSP100, a de maior valor no país, é a menos valorizada no mundo.

A inflação elevada no Sudão do Sul é resultado da emissão de dinheiro e do colapso econômico. A economia do país é uma das menos diversificadas do mundo. Em 2014, o petróleo foi responsável por 99,8% das receitas de exportação. Em 2011, depois do movimento de independência do Sudão do Sul, as receitas de exportação da grande produção de petróleo, com o preço do barril a mais de US$100, financiavam o favoritismo e a corrupção no poder público.

Mas em 2012 o governo decidiu paralisar a produção de petróleo em protesto contra o suposto confisco do produto, quando passava pelos oleodutos do Sudão. Com a guerra civil, que começou em 2013, a produção reduziu-se. O Sudão do Sul agora produz cerca de 120 mil barris de petróleo por mês, metade do auge de sua produção, com o preço por barril à metade de sua cotação em 2011. O governo imprimiu dinheiro para contrabalançar a queda nas receitas de petróleo, com resultados previsíveis para o aumento da inflação.

Um funcionário de uma ONG em Juba mostrou uma fotografia de diversas caixas cheias de dinheiro, que são  transportadas em um pequeno avião. Para pagar a equipe local, a ONG é obrigada a fazer um pagamento de uma taxa extra de transporte de bagagem. Os motoristas de táxi, uma fonte importante de circulação de dinheiro no mercado negro, preparam os maços de notas presos com elástico para que as pessoas não precisem contá-las.

Os salários dos funcionários do governo, quando são pagos, perderam o poder de compra. Os preços dos alimentos, quase todos importados da Uganda e do Quênia, aumentaram, o que agravou a séria situação de escassez de víveres no país.

A inflação diminuiu um pouco nos últimos meses. No entanto, os problemas básicos continuam. As despesas do governo ainda são altas, apesar de não ter novas receitas. A exportação de petróleo é quase inexistente. Com o fim da guerra civil, é possível que alguns doadores internacionais ofereçam ajuda financeira. Mas os líderes do Sudão do Sul não desistem de pensar em possíveis soluções para enfrentar a crise. A última proposta de arrecadação de receitas, anunciada poucas semanas depois que o governo fez uma declaração formal da situação crítica de fome em algumas regiões do país, é aumentar o custo das autorizações de trabalho para funcionários estrangeiros de ajuda humanitária de US$ 100 por pessoa para US$ 10 mil. Não se pode dizer que seja uma ideia brilhante.

Fontes:
The Economist-To fight hyperinflation, South Sudan decides to tax aid workers

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2 Opiniões

  1. antonio disse:

    Que o Senhor nosso Deus, tenha de misericórdia das pessoas do Sudão do Sul.

  2. laercio disse:

    Estes são exemplos daquilo que não se deve fazer: corrupção e receita com base em um produto.

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