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REDUÇÃO DA POLUIÇÃO

Indústrias da China lutam para se ajustar à pauta ambiental

Pressionada por ambientalistas e pela comunidade internacional, a China tem planos ambiciosos de combate à poluição, mas suas indústrias temem os custos

Indústrias da China lutam para se ajustar à pauta ambiental
Agências reguladoras do país têm sido rigorosas no combate à poluição (Foto: High Contrast)

Há alguns anos, mesmo com a poluição do ar, o fornecimento de penas de gansos para fábricas de roupas e travesseiros garantia a prosperidade de Dazhang, um vilarejo em uma região pantanosa no norte da China.

Os moradores tinham acesso à água dos pântanos e compravam carvão por um preço acessível para aquecer as caldeiras de suas casas. Carros de luxo circulavam pelas ruas esburacadas.

Mas desde 2013, quando as agências reguladoras adotaram medidas para reduzir a poluição, a região ao redor do vilarejo sofreu uma série de mudanças para se adaptar às novas regras de preservação ambiental.

O governo está construindo a cidade “ecológica” de Xiong’an na área pantanosa próxima a Dazhang. Com geração de energia por fontes renováveis, como solar e eólica, a cidade irá atrair US$ 300 bilhões em investimentos de tecnologia de ponta.

Mas, apesar das iniciativas do governo de preservação do meio ambiente, ativistas ambientais temem que a desaceleração econômica do país resulte em projetos inacabados e políticas ambientais postas de lado. No entanto, as agências reguladoras têm sido rigorosas no combate à poluição na área industrial. Na província de Hebei, as fábricas que não cumpriram as metas de proteção ambiental foram fechadas.

A China assumiu o compromisso, assim como outros países presentes à conferência do Acordo de Paris, em 2015, de reduzir a partir de 2020 as emissões de gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global.

Na região norte da China, uma área predominantemente industrial e com um alto índice de poluição, as fábricas de malas, que empregavam centenas de operários, fecharam, assim como as olarias. A fábrica em Dazhang será a próxima a fechar.

Os trabalhadores migrantes e alguns habitantes do povoado já partiram para outros lugares em busca de trabalho. “As ruas estão mais limpas, mas tenho poucos clientes”, disse o dono de um bar.

A fim de atender aos padrões de qualidade do ar e da água impostos pelo governo, as fábricas gastaram milhares de dólares para trocar as caldeiras a carvão por caldeiras a gás natural, que não poluem o meio ambiente. O mesmo aconteceu com o sistema de descarga de águas residuais, cujos equipamentos custam caríssimo. Muitas fábricas não tiveram condições de arcar com esses custos e fecharam. Na província de Hebei, a produção de aço caiu 25%.

Entre 2014 e 2016, as emissões de gases de efeito estufa estabilizaram-se em consequência não só da política ambiental, como também de um declínio econômico cíclico, que obrigou muitas empresas a encerrarem suas atividades.

Funcionários das agências reguladoras inspecionam fábricas e outros empreendimentos que não seguem as normas ambientais. No inverno de 2017, por causa de uma campanha do governo contra a queima de carvão na província de Hebei, muitas casas ficaram sem aquecimento e fábricas não funcionaram por falta de energia elétrica.

No período de 2010 a 2015, o governo chinês gastou US$ 492 no combate à poluição. As agências reguladoras continuam a agir com rigor, mesmo quando as medidas afetam a economia. Apesar da desaceleração econômica e da guerra comercial com os EUA, a China está decidida a fazer a transição para uma economia limpa e sustentável.

Fontes:
Financial Times-China’s industrial heartland fears price of green policy

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